
Começou por volta das 14h desta segunda-feira (9), a audiência de interrogatório dos réus do núcleo 1 da trama golpista, durante o governo de Jair Bolsonaro. O primeiro a prestar depoimento é o tenente-coronel do Exército, Mauro Cid. Além dele, outros sete réus serão ouvidos nos próximos dias, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cid confirma denúncia de trama golpista
Mauro Cid foi o primeiro a falar porque fechou uma delação premiada com a Polícia Federal. Questionado pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, ele ainda garantiu que assinou o termo de colaboração por vontade própria. Além disso, o tenente-coronel afirmou que de fato existia a denúncia de trama golpista. “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei”, disse Cid.
Contudo, por estar na condição de réu e delator, o interrogatório do militar deve ser o mais extenso e tomar todo o primeiro dia de oitiva.
Réus da trama golpista serão ouvidos até o dia 13 de junho
O ministro Alexandre de Moraes fará o interrogatório dos réus até o dia 13 de junho. O ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” da uma trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.
Vale salientar, portanto, que os acusados poderão se recusar a responder perguntas que possam incriminá-los. Assim, a Constituição garante aos investigados o direito de não produzir provas contra si.
O único réu que irá depor por videoconferência será o general Braga Netto. Vice na chapa de Bolsonaro em 2022, o militar da reserva está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado e obter detalhes da delação de Mauro Cid.
Enfim, a expectativa é de que o julgamento ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas passam de 30 anos de prisão.
Núcleo 1: ordem dos depoimentos sobre trama golpista
- Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto.
Com informações da Agência Brasil

