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Parlamento Europeu pode barrar acordo entre Mercosul e União Europeia

Sem aprovação final dos eurodeputados, tratado comercial perde força e pode travar de vez

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Parlamento Europeu pode barrar acordo entre Mercosul e União Europeia
Foto: União Europeia/Mercosul

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia entrou em uma fase decisiva. Nesta segunda-feira (04), diplomatas reforçaram que o Parlamento Europeu precisa aprovar o tratado para que ele siga com força política e econômica. Sem esse aval, o acordo pode perder sustentação e, na prática, acabar engavetado depois de mais de duas décadas de negociação.

Embora os países envolvidos já tenham avançado nas tratativas e assinado o texto, a ratificação definitiva depende agora dos eurodeputados. Sem essa aprovação, o tratado não ganha estabilidade jurídica nem segurança para investidores, exportadores e governos.

Parlamento Europeu segura a decisão final

Agora, o centro da decisão está em Bruxelas. O Parlamento Europeu assumiu o papel mais sensível de todo o processo e pode definir se o acordo avança ou para de vez.

Diplomatas alertam que, sem a votação favorável, o tratado entra em um limbo político. Isso significa atraso na redução de tarifas, insegurança para novos negócios e enfraquecimento das relações comerciais entre os dois blocos.

O acordo reúne países que representam cerca de 25% da economia mundial e mais de 700 milhões de pessoas. Além disso, ele pode criar uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.

Por isso, a votação deixou de ser apenas técnica e virou uma disputa estratégica de peso global.

Agricultores europeus aumentam pressão

Ao mesmo tempo, a resistência dentro da Europa cresce. Agricultores de países como França, Irlanda e Polônia pressionam fortemente contra o tratado.

Eles temem concorrência direta com produtos do Mercosul, principalmente carnes, açúcar, etanol e grãos. Para esses setores, o acordo pode reduzir proteção comercial e afetar a renda de produtores locais.

Além disso, grupos ambientalistas cobram regras mais duras sobre sustentabilidade, preservação ambiental e cumprimento das metas climáticas.

Com isso, o debate saiu da planilha econômica e entrou de vez no campo político, onde cada voto pesa e cada articulação conta.

Brasil defende avanço imediato

Do lado brasileiro, o governo trata o acordo como prioridade estratégica. A expectativa é ampliar exportações, atrair investimentos e abrir mais espaço para a indústria nacional no mercado europeu.

Além disso, o tratado pode reduzir tarifas, facilitar negociações internacionais e aumentar a competitividade de diversos setores produtivos.

Para o Brasil, o avanço representa mais do que comércio. Representa influência geopolítica e fortalecimento diplomático em um cenário global cada vez mais disputado.

Por isso, Brasília acompanha cada movimento europeu com atenção redobrada.

Assinatura não garante vitória

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999. Desde então, o processo enfrentou pausas, impasses e mudanças políticas dos dois lados.

A assinatura recente foi importante, mas ainda não encerra a disputa. Na prática, ela abriu a porta, mas quem decide se ela continua aberta é o Parlamento Europeu.

Sem essa aprovação, o acordo corre o risco de virar apenas mais um capítulo longo da diplomacia internacional, cheio de promessas e pouca execução.

No tabuleiro global, assinar foi só a abertura. O jogo pesado começa agora.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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