
O papa Leão XIV fez nesta segunda-feira um reconhecimento inédito sobre um dos capítulos mais controversos da história da Igreja Católica. Em sua primeira encíclica, o pontífice pediu perdão pelo envolvimento da instituição na escravidão e admitiu que a condenação da prática ocorreu de forma tardia.
A declaração marca uma ruptura com a postura adotada por gerações de líderes da Igreja. Embora o Vaticano já tenha condenado a escravidão em diferentes períodos, nenhum papa havia feito um pedido formal de desculpas em nome da instituição pelo tema.
“Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, escreveu Leão XIV ao recordar o sofrimento imposto a milhões de pessoas escravizadas ao longo dos séculos.
Reconhecimento de uma falha histórica
No documento, o pontífice afirma que a Igreja levou séculos para reconhecer plenamente a incompatibilidade entre a escravidão e os princípios cristãos. Além disso, ele admite que autoridades e documentos eclesiásticos contribuíram para legitimar formas de subjugação humana durante a expansão colonial europeia.
Segundo Leão XIV, a demora em condenar a prática deixou uma marca profunda na história da instituição. Por isso, ele defende que a Igreja reconheça seus erros e preserve a memória das vítimas.
O papa também destacou que não é possível minimizar o sofrimento causado pela escravidão. Para ele, o reconhecimento desse passado representa um passo necessário para fortalecer o compromisso da Igreja com os direitos humanos.
Declaração rompe tradição do Vaticano
A manifestação chama atenção porque rompe uma cautela histórica da Santa Sé. Durante décadas, os pontífices condenaram a escravidão sem relacionar diretamente a instituição ao sistema que sustentou o comércio de pessoas em diferentes partes do mundo.
Agora, entretanto, Leão XIV faz referência explícita à atuação da Igreja em períodos nos quais documentos papais respaldaram ações ligadas à dominação colonial. Dessa forma, ele reconhece que a instituição também precisa refletir sobre sua própria responsabilidade histórica.
Além disso, o pronunciamento ocorre após uma série de discursos do papa sobre dignidade humana, combate à discriminação e inclusão social.
Alerta para novas formas de exploração
Segundo ele, a revolução tecnológica exige atenção para evitar abusos em cadeias produtivas e relações de trabalho. O pontífice alerta que o avanço da economia digital não pode ocorrer à custa da dignidade humana.
Por fim, o líder da Igreja defende que governos, empresas e instituições atuem para impedir novas formas de exploração. Na avaliação dele, aprender com os erros do passado é fundamental para que futuras gerações não precisem pedir perdão pelas mesmas omissões.

