
O papa Leão XIV apresenta, nesta segunda-feira (25), sua primeira encíclica oficial, intitulada “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”). O documento, principal ferramenta de ensinamento da Igreja Católica para seus 1,4 bilhão de fiéis, aborda os impactos da inteligência artificial na sociedade.
No texto, o pontífice critica o uso da tecnologia em guerras e defende os direitos dos trabalhadores. Além disso, o evento traz uma quebra de tradição. Ou seja, o papa comanda a apresentação no Vaticano, tarefa que normalmente fica com cardeais e porta-vozes.
Defesa dos trabalhadores
De acordo com analistas do Vaticano, a primeira encíclica de um pontificado serve para mostrar as prioridades do novo papa. Com o propósito de reforçar sua mensagem, Leão XIV assinou o documento em 15 de maio, mesma data de uma encíclica histórica do século XIX que exigia salários dignos para os operários da Revolução Industrial. Dessa forma, o papa liga o passado às preocupações atuais com os empregos na era da IA.
Atrito do papa Leão XIV com Donald Trump
Nas últimas semanas, o papa intensificou os discursos contra a tecnologia militar. Ele citou os conflitos na Ucrânia, Gaza, Líbano e Irã como exemplos de uma “evolução desumana em uma espiral de aniquilação”.
Por consequência, a postura firme do líder católico causou um mal-estar diplomático. Recentemente, Leão XIV irritou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao condenar o papel americano na guerra envolvendo Israel e Irã.
O evento também conta com a presença de Chris Olah, cofundador da Anthropic, empresa de inteligência artificial que defende limites para o uso militar dessa tecnologia. Inclusive, a empresa enfrenta o governo Trump por insistir em proibições que impedem o uso de ferramentas para o direcionamento de armas ou espionagem de cidadãos.
Novo rumo no Vaticano
O documento atual sucede a última encíclica do Papa Francisco, publicada em outubro de 2024. Enquanto Francisco focava na crítica à busca desenfreada por dinheiro e na desigualdade econômica, Leão XIV direciona o foco da Igreja para a proteção das pessoas diante do avanço da inteligência artificial.

