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Ucrânia acusa Israel de facilitar entrada de grãos roubados pela Rússia

Kiev afirma que navios com carga retirada de áreas ocupadas seguem chegando a portos israelenses e já prepara sanções

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Ucrânia acusa Israel de facilitar entrada de grãos roubados pela Rússia
Foto: Reprodução

A Ucrânia aumentou a pressão diplomática nesta terça-feira (29) ao acusar Israel de permitir a entrada de grãos que, segundo Kiev, foram roubados pela Rússia em territórios ucranianos ocupados. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que embarcações com essa carga continuam atracando em portos israelenses e avisou que o governo já prepara sanções contra empresas e pessoas envolvidas nesse comércio.

Segundo Zelensky, comprar produtos retirados ilegalmente de áreas ocupadas gera responsabilidade jurídica e política. Por isso, ele reforçou que nenhum país pode ignorar a origem desses grãos, especialmente em meio a uma guerra que já impacta a segurança alimentar mundial.

Kiev cobra ação imediata

O governo ucraniano afirmou que já enviou diversos alertas formais a Israel e, ainda assim, os desembarques continuam acontecendo. Agora, Kiev quer uma resposta concreta e mais rápida.

Além disso, a Ucrânia pediu oficialmente que Israel apreenda o navio Panormitis, que estaria transportando uma carga considerada suspeita em direção ao porto de Haifa. As autoridades ucranianas exigem uma inspeção completa da embarcação, com análise dos documentos, verificação da rota e coleta de amostras dos grãos.

Para Kiev, não há mais espaço para omissão. O argumento é simples: se há suspeita de mercadoria roubada, o país receptor precisa agir.

Israel rebate e exige provas

Israel, por sua vez, rejeitou a acusação e afirmou que ainda não recebeu provas jurídicas suficientes para justificar uma apreensão imediata.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, criticou a postura pública da Ucrânia e declarou que o governo israelense não pode agir apenas com acusações feitas em redes sociais ou declarações políticas.

Segundo ele, antes de qualquer medida, é necessário apresentar documentação formal e elementos legais sólidos que comprovem a origem ilícita da carga.

Enquanto isso, empresas ligadas ao transporte marítimo também negaram qualquer irregularidade e sustentam que os documentos apontam origem russa legal para os grãos transportados.

Europa acompanha e pode punir envolvidos

A União Europeia acompanha o caso de perto e já demonstrou preocupação com o possível comércio de produtos retirados ilegalmente de territórios ocupados.

Além disso, o bloco sinalizou que pode aplicar sanções contra empresas, empresários e operadores logísticos que participem dessas transações.

De acordo com estimativas ucranianas, mais de 1,7 milhão de toneladas de produtos agrícolas já teriam sido exportadas ilegalmente desde 2022. O valor dessa carga ultrapassa US$ 454 milhões.

Esse número mostra que a guerra vai muito além dos combates no campo militar. Ela também atinge portos, mercados internacionais e o preço dos alimentos no mundo inteiro.

Agora, a disputa entre Ucrânia e Israel ganha um novo capítulo diplomático e coloca o comércio global sob mais pressão.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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