
A Epagri/Ciram e a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SDC) emitiram uma nota climática que alerta sobre a possibilidade de início do fenômeno El Niño nos próximos meses, o que pode afetar o clima em Santa Catarina, aumentando o potencial de impactos relacionados a enxurradas, inundações e deslizamentos. Além disso, o fenômeno aumenta a probabilidade de tempestades severas no Estado, que são acompanhadas de vendaval e granizo.
A nota revela que a atualização mais recente do Climate Prediction Center (CPC/NOAA), divulgada em abril, indica 80% de probabilidade de o El Niño iniciar entre julho e agosto deste ano, com tendência de persistir ao longo da primavera e do verão.
O El Niño se configura pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, o que vem acontecendo de forma rápida nos últimos meses. “Apesar do sinal evidente da atuação do fenômeno a partir do segundo semestre, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e duração, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo de sua evolução”, afirma a nota.
Os meteorologistas da Epagri/Ciram e SDC relatam no documento que, de acordo com a NOAA, existe 25% de chance de o El Niño se configurar com intensidade muito forte. No entanto, independentemente de sua intensidade, o fenômeno tende a provocar um aumento significativo na precipitação no Sul do Brasil, condição que inspira muita atenção já que a primavera e o verão são estações normalmente chuvosas em Santa Catarina.
O que esperar para Santa Catarina
“O cenário demanda acompanhamento contínuo e preparação por parte dos órgão públicos e da população”, ressaltam os técnicos. Os episódios mais marcantes de El Niño que impactaram Santa Catarina ocorreram em 1982/83, 1997/98, 2015/16 e, mais recentemente, em 2023/24. Este último foi responsável por inundações em diversas regiões do Estado. Dentre as áreas mais impactadas, destaca-se o Vale do Itajaí, onde as inundações generalizadas afetaram milhares de pessoas e provocaram prejuízos socioeconômicos significativos.
Embora o El Niño contribua para a intensificação das precipitações no Estado, ele não é, isoladamente, o único responsável pela ocorrência de eventos extremos. Tais eventos, em geral, resultam da atuação combinada de diferentes fenômenos de escala climática.

