
Cientistas concluíram o maior e mais detalhado mapa tridimensional do universo já produzido. O projeto, liderado pelo Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), registrou mais de 47 milhões de galáxias e quasares após cinco anos de observação e abriu uma nova etapa na investigação sobre a energia escura, a força invisível que acelera a expansão do cosmos.
Além disso, os pesquisadores também catalogaram cerca de 20 milhões de estrelas próximas da Via Láctea, ampliando ainda mais a dimensão desse levantamento histórico.
O resultado superou com folga a meta inicial, que previa o mapeamento de 34 milhões de galáxias e quasares. Com isso, a ciência passou a contar com a base mais robusta já criada para entender como o universo cresceu, se expandiu e pode evoluir no futuro.
Em resumo, os astrônomos ganharam uma espécie de Google Maps do cosmos. A diferença é que aqui não existe GPS, só bilhões de anos-luz e muita humildade.
DESI ampliou a visão do universo
O DESI funciona no Arizona, nos Estados Unidos, e utiliza uma tecnologia impressionante. O sistema conta com cerca de 5 mil robôs posicionadores de fibras ópticas que capturam simultaneamente a luz de milhares de objetos celestes.
Com isso, os cientistas conseguem medir com precisão a distância de galáxias extremamente distantes e montar um mapa tridimensional com um nível de detalhe nunca visto antes.
A luz das galáxias mais remotas registradas nesse levantamento levou cerca de 11 bilhões de anos para chegar até a Terra. Ou seja, quando os pesquisadores observam esse mapa, eles literalmente olham para o passado profundo do universo.
Além disso, o instrumento já reuniu medições de seis vezes mais galáxias e quasares do que todos os levantamentos anteriores somados.
Energia escura voltou ao centro da discussão
O principal objetivo do projeto é investigar a chamada energia escura, uma força misteriosa que representa cerca de 70% de todo o universo e impulsiona a aceleração da expansão cósmica.
Até agora, o modelo cosmológico mais aceito tratava essa energia como uma constante estável. No entanto, os primeiros dados do DESI começaram a sugerir outra possibilidade: ela pode mudar de comportamento ao longo do tempo.
Se essa hipótese se confirmar, a física poderá precisar revisar parte importante de suas bases teóricas.
Em outras palavras, o universo talvez esteja contando uma história diferente daquela que a ciência vinha narrando até aqui.
E isso não acontece todo dia. Nem toda galáxia resolve discordar da física numa quarta-feira.
Projeto reuniu cientistas do mundo inteiro
O DESI não funciona como um esforço isolado. O projeto reúne mais de 900 pesquisadores, incluindo cerca de 300 doutorandos, ligados a mais de 70 instituições espalhadas pelo mundo.
A liderança está com o Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, mas a construção desse mapa dependeu de uma verdadeira força-tarefa internacional.
Essa colaboração acelerou descobertas importantes e permitiu que os pesquisadores entregassem resultados ainda mais consistentes.
Agora, com o banco de dados completo, a equipe inicia uma nova fase: transformar essa montanha de informações em respostas mais claras sobre a origem, a estrutura e o destino do universo.
Os primeiros resultados completos devem ser divulgados em 2027.
O mapa ainda vai crescer
Mesmo com a missão principal concluída, o DESI continuará observando o céu até 2028. Agora, o foco será explorar regiões mais difíceis de enxergar, principalmente áreas parcialmente escondidas pela Via Láctea e galáxias ainda mais fracas e distantes.
Essa nova etapa deve fortalecer estudos sobre galáxias anãs, fluxos estelares e a formação das grandes estruturas cósmicas.
Cada nova galáxia registrada ajuda a responder uma pergunta antiga da humanidade: de onde viemos e para onde tudo isso está indo.
Porque estudar o universo também é isso, uma tentativa elegante e insistente de entender a nós mesmos.

