
Pouco mais de um mês após o início da taxação de 50% sobre as exportações brasileiras de madeira pelos Estados Unidos, o setor tem enfrentado efeitos da medida. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), desde julho, quando foi anunciado o tarifaço, até setembro, 4 mil trabalhadores foram demitidos. Somente numa única empresa de Santa Catarina, a Artefama, de São Bento do Sul, foram cerca de 400 demissões.
Em nota oficial, a direção da Artefama informou que a empresa passa por uma “reestruturação importante”, e confirma que a causa são as mudanças recentes no mercado internacional.
Segundo a empresa fundada em 1945, como parte do processo de adaptação, grande parte da equipe precisou ser desligada para manter uma operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento. “Foi uma decisão difícil, mas necessária para garantir que continuemos produzindo e mantendo nossa presença no município”, declarou a Nota.
Tarifaço do Trump
A Artefama disse ainda que com as mudanças no mercado internacional, com o tarifaço do governo de Donald Trump, as vendas caíram de forma significativa, sendo necessária a reestruturação. Por fim, a empresa disse que está reorganizando os processos e explorando novos mercados.
De acordo com Luiz Carlos Pimentel, presidente do Sindicato de Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sindusmobil), muitas indústrias exportadoras “não têm previsão de geração de caixa futuro e se veem obrigadas a tomar decisões difíceis, como a redução do quadro de funcionários”.
Em todo o Brasil, além das demissões, cerca de 5,5 mil trabalhadores entraram em férias coletivas. Além disso, outros 1,1 mil em regime de layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho).
Sem acordo de curto prazo entre Brasil e EUA que alivie o tarifaço, a Abimci estima que mais de 4,5 mil novas demissões poderão ocorrer nos próximos meses.
Confira a íntegra da nota da empresa Artefama
“Indústrias Artefama S.A. comunica que está promovendo uma reestruturação importante para se adaptar às mudanças recentes no mercado internacional, que reduziram de forma significativa nossas vendas.
Como parte desse processo, será necessário reduzir grande parte de nossa equipe para manter a operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento. Essa foi uma decisão difícil, mas necessária para garantir que continuemos produzindo e mantendo nossa presença no município.
Estamos reorganizando nossos processos e explorando novos mercados com o objetivo de recuperar gradualmente nossa capacidade produtiva e, assim, voltar a gerar empregos no futuro.
Seguiremos comprometidos com esta comunidade e confiantes de que esse ajuste abrirá caminho para dias melhores”.

