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O que se sabe sobre o possível surto de peste na Rússia

A peste é uma doença causada pela bactéria Yersinia pestis.

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O que se sabe sobre o possível surto de peste na Rússia
Foto: divulgação

Uma técnica de laboratório de 28 anos morreu em Irkutsk, na Sibéria, e as autoridades investigam se ela contraiu peste pneumônica. O caso levou cinco hospitais da cidade a entrarem em quarentena e deixou cerca de 200 pessoas sob acompanhamento médico.

A mulher se chamava Daria Shipilova e trabalhava no Instituto Anti-Peste de Irkutsk. No início do mês, ela apresentou um grave problema respiratório, foi internada e morreu. Ainda não há confirmação de que tenha contraído peste nem de como poderia ter sido contaminada, mas persistem dúvidas sobre um possível surto.

EUA e OMS acompanham o caso

O governo dos Estados Unidos começou a solicitar informações sobre o ocorrido. Um funcionário do Departamento de Estado disse à agência EFE que o contato com as autoridades russas começou na sexta-feira (2).

 “Estivemos em contato com o governo russo — incluindo nossos especialistas em saúde do Departamento de Estado e o Ministério das Relações Exteriores — desde a sexta-feira passada”, explicou o funcionário.

O presidente americano, Donald Trump, disse que os Estados Unidos ainda estavam avaliando a situação, embora tenha prometido apoio a Moscou “em tudo o que for possível”. Antes de viajar para Nebraska para um ato de campanha, afirmou: “Acabamos de saber, estamos analisando, mas parece um grande problema para a Rússia”. Ele também revelou que falaria com Vladimir Putin nas horas seguintes.

“É sempre algo muito bom quando se oferece ajuda”, declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, durante sua coletiva de imprensa diária por telefone.

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou em Genebra que a mulher trabalhava em um instituto que estuda microrganismos perigosos, incluindo a bactéria causadora da peste. Ele também esclareceu que a região da Sibéria onde fica Irkutsk é um local onde a doença pode ocorrer naturalmente em animais silvestres.

“A OMS ainda não recebeu uma notificação oficial a respeito por meio do Regulamento Sanitário Internacional”, disse Lindmeier. Ele acrescentou que a causa da morte ainda não havia sido confirmada e que análises laboratoriais estavam sendo realizadas.

Segundo uma mensagem enviada pelas autoridades sanitárias russas à OMS, não foram encontrados agentes de doenças infecciosas perigosas em nenhuma das pessoas que tiveram contato com Shipilova. Todas as pessoas que estiveram próximas da paciente foram identificadas e seguem sob observação. Até aquele momento, nenhuma havia apresentado sintomas.

A OMS avaliou como moderado a baixo o risco para Irkutsk, baixo para a Rússia em geral e muito baixo para a Europa, embora tenha esclarecido que essa avaliação pode mudar caso surjam novas informações. O organismo informou que mantém o acompanhamento do caso e pode ajudar as autoridades russas, se solicitado.

O que é a peste pneumônica e por que preocupa

A peste é uma doença causada pela bactéria Yersinia pestis. Ela pode afetar os gânglios linfáticos, o sangue, os pulmões ou a garganta. Conforme a região do corpo comprometida, recebe diferentes denominações: bubônica, septicêmica, pneumônica ou faríngea.

A forma bubônica afeta os gânglios linfáticos. A septicêmica ocorre quando a bactéria chega ao sangue. A faríngea compromete a garganta. Já a pneumônica atinge os pulmões e pode causar pneumonia.

A peste pneumônica é considerada a forma mais preocupante porque uma pessoa infectada pode transmitir a bactéria a outra por meio de gotículas respiratórias ao tossir ou espirrar.

O período de incubação pode ser de apenas 24 horas. No entanto, as chances de cura são altas quando o diagnóstico e o tratamento são iniciados rapidamente. Antibióticos podem tratar a infecção quando administrados a tempo.

Transmissão

Pulgas, roedores e outros mamíferos podem portar a bactéria. A forma mais comum de contágio ocorre quando uma pulga que esteve em um animal infectado pica uma pessoa. Também é possível contrair a doença pelo contato com tecidos ou fluidos corporais de animais infectados.

O consumo de carne crua ou malpassada de um animal que carrega a bactéria também pode provocar peste faríngea.

Os sintomas podem variar. Febre, calafrios, dor de cabeça, cansaço, dores no corpo, tontura, náusea, vômito e diarreia podem aparecer nas diferentes formas da doença.

Na peste bubônica, os gânglios podem ficar inchados e doloridos. A forma septicêmica pode provocar dor abdominal e sangramentos pelo nariz, pela boca ou sob a pele. A pneumônica pode causar falta de ar, dor no peito, tosse e produção de secreção aquosa ou com sangue.

A OMS alerta que, sem tratamento, as formas septicêmica e pneumônica podem apresentar mortalidade de 30% a 100%.

A peste segue presente em vários países

A peste em animais ocorre em todos os continentes, exceto na Oceania. Desde a década de 1990, a maior parte dos casos em humanos está concentrada na África. Madagascar, a República Democrática do Congo e o Peru estão entre os países onde a doença ocorre com maior frequência.

A chamada peste negra causou a morte de cerca de 50 milhões de pessoas na Europa durante o século XIV, segundo a OMS. Atualmente, as autoridades recomendam informar a população quando há registro da doença em animais de determinada região, evitar picadas de pulgas e não tocar em animais mortos, seus tecidos ou fluidos corporais.

Investigação sobre possível acidente em laboratório

Uma das possibilidades analisadas é que Shipilova tenha quebrado acidentalmente um tubo de ensaio com material contendo Yersinia pestis enquanto manipulava amostras. Até o momento, porém, as autoridades não confirmaram que o acidente tenha ocorrido nem que ele explique uma possível contaminação.

As pessoas que tiveram contato com a técnica foram submetidas a acompanhamento médico e exames. Até aquele momento, não haviam sido registrados novos casos entre os trabalhadores do Instituto Anti-Peste.

As medidas também chegaram a uma fábrica de alumínio em Shelekhov, cidade onde fica o instituto. A empresa orientou seus funcionários a usar máscaras e procurar atendimento médico imediatamente caso apresentassem sintomas.

A confusão aumentou quando Alexei Tsydenov, governador da vizinha República da Buriácia, publicou que a trabalhadora havia morrido de peste. Mais tarde, ele alterou a mensagem e acrescentou a palavra “possivelmente”, sem explicar quais evidências sustentavam a afirmação.

O governador de Irkutsk, Igor Kobzev, também não confirmou o diagnóstico de peste pneumônica. Segundo ele, Shipilova sofreu uma “pneumonia de origem desconhecida”, e as medidas preventivas estavam sob supervisão da Rospotrebnadzor, órgão russo de controle sanitário.

Kobzev acrescentou que as amostras coletadas da paciente não apresentaram microrganismos relacionados ao seu trabalho. Também afirmou que não houve casos de doenças infecciosas entre os funcionários do instituto nos dez dias anteriores à morte de Shipilova.

Róbinson Gambôa

Sobre o autor

Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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