
Santa Catarina fechou 2025 com produção de 121 milhões de dúzias de ovos de galinha destinadas ao consumo, o maior volume da série estadual considerada pelo Observatório Agro Catarinense desde 2012. O resultado colocou o estado na 10ª posição nacional nesse segmento e correspondeu a aproximadamente 3% da produção brasileira voltada ao consumo, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira, 1º de outubro, pela Epagri.
O avanço ocorre em uma cadeia formada por mais de 5 milhões de galinhas poedeiras e cerca de 200 produtores comerciais cadastrados pela Cidasc. A produção continuou crescendo em 2026: no primeiro semestre, o volume catarinense ficou aproximadamente 1% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
São Ludgero chegou a 49,8 milhões de dúzias
Um dos números mais expressivos aparece em São Ludgero, no Sul catarinense. Segundo os dados municipais do IBGE reunidos pela Epagri, o município produziu 49,8 milhões de dúzias de ovos em 2025, consolidando-se como um dos principais centros da avicultura de postura no estado.
A importância da atividade já havia recebido reconhecimento institucional. Desde março de 2025, São Ludgero possui oficialmente o título de Capital Catarinense da Produção de Ovos Comerciais de Galinha e de Codorna, instituído pela Lei estadual nº 19.261.
Os números municipal e estadual, porém, exigem cuidado na comparação. O IBGE trabalha com levantamentos diferentes: a Pesquisa da Produção de Ovos de Galinha (POG) acompanha granjas especializadas com capacidade mínima de 10 mil poedeiras ou matrizeiras, enquanto a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) incorpora a produção municipal total, inclusive estabelecimentos menores. Por isso, os dados não devem ser usados como se tivessem exatamente o mesmo universo estatístico.
Produção de ovos em Santa Catarina alcança VPA de R$ 1,8 bilhão
Além do crescimento físico, a postura comercial ganhou peso econômico. A Epagri/Cepa calcula que a atividade atingiu R$ 1,8 bilhão em Valor da Produção Agropecuária em 2025, equivalente a 2,4% do VPA catarinense. Com esse resultado, os ovos ficaram na 11ª posição entre as atividades agropecuárias de maior valor no estado.
Esse ranking não deve ser confundido com a posição de Santa Catarina na produção nacional: 10º lugar se refere à comparação entre estados na produção de ovos, enquanto 11º lugar é a posição da atividade dentro do VPA agropecuário catarinense.
O movimento estadual acompanha uma expansão mais ampla da avicultura de postura brasileira. Em 2025, as granjas pesquisadas pelo IBGE produziram 4,95 bilhões de dúzias de ovos, alta de 5,7% sobre 2024 e novo recorde da série nacional. Do volume pesquisado, 82,4% teve como finalidade o consumo e 17,6% foi destinado à incubação.
O desempenho do setor brasileiro ao longo do ano também pode ser acompanhado na análise sobre como a produção e a exportação de ovos atingiram recordes em 2025.
Milho pesa diretamente no custo das granjas
Produzir mais não elimina a pressão sobre as margens. Segundo a Epagri/Cepa, a ração responde por aproximadamente 60% do custo de produção dos ovos, e o milho representa perto de 65% da composição da alimentação das aves. Isso deixa a postura exposta às oscilações do mercado de grãos.
A dependência é particularmente relevante em Santa Catarina. O quadro de oferta e demanda elaborado pela Epagri/Cepa estima consumo estadual de aproximadamente 8,51 milhões de toneladas de milho em 2025, enquanto a produção ficou em 2,72 milhões de toneladas. Somente as galinhas poedeiras demandaram cerca de 204 mil toneladas do cereal naquele ano.
Além dos custos, os preços recebidos pelo produtor passaram a exigir atenção em 2026. Segundo a Epagri, em setembro as cotações dos ovos estavam quase 17% abaixo das observadas no mesmo mês de 2025 em termos reais, depois do ajuste pelo IGP-DI.
A situação mostra que crescimento de produção e rentabilidade não caminham necessariamente no mesmo ritmo. Para as granjas, eficiência alimentar, produtividade por ave, sanidade e gestão dos custos continuam determinantes para transformar maior escala em resultado econômico.
Avicultura de postura cresce, mas sanidade permanece no radar
A expansão também exige atenção permanente à biosseguridade. A Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) continua sendo um dos principais riscos sanitários monitorados pela cadeia, e Santa Catarina mantém ações de vigilância conduzidas pelo serviço de defesa agropecuária e pelo Ministério da Agricultura.
Ao mesmo tempo, mudanças nos sistemas produtivos vêm ganhando espaço no setor. O avanço de modelos de produção com galinhas livres mostra como bem-estar animal, exigências de mercado e eficiência produtiva passaram a participar das decisões de investimento das granjas.
O recorde catarinense, portanto, vai além de um aumento na quantidade de ovos. Os dados mostram uma cadeia economicamente relevante, fortemente concentrada em polos especializados como São Ludgero e inserida em um mercado nacional que também encerrou 2025 em nível histórico. O desafio agora é sustentar esse crescimento diante da volatilidade dos insumos, dos preços recebidos pelo produtor e dos riscos sanitários.