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Naufrágio do século XIV revela tesouro de porcelana da Dinastia Yuan

Arqueólogos recuperam milhares de peças raras e reforçam importância do comércio marítimo asiático medieval

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Naufrágio do século XIV revela tesouro de porcelana da Dinastia Yuan
Foto: Michael Flecker/Science Direct

Arqueólogos anunciaram nesta quarta-feira (04) a descoberta de um naufrágio do século XIV nas águas próximas ao estreito de Singapura. A embarcação transportava uma grande carga de porcelanas raras produzidas durante a Dinastia Yuan, período em que os mongóis governaram a China. Os pesquisadores divulgaram o achado porque a carga encontrada ajuda a explicar como funcionavam as rotas comerciais entre a China e o Sudeste Asiático há cerca de 650 anos.

Descoberta revela navio carregado de cerâmica

Primeiro, equipes de arqueologia subaquática identificaram os destroços no fundo do mar. Em seguida, mergulhadores iniciaram escavações controladas e começaram a retirar peças preservadas ao longo de séculos.

Durante o trabalho, os pesquisadores recuperaram cerca de 3,5 toneladas de fragmentos e objetos de cerâmica. Além disso, encontraram um grande conjunto de porcelanas azul e branca da Dinastia Yuan. Esse tipo de material aparece com frequência em coleções de museus, porém raramente surge em quantidades tão grandes em um único sítio arqueológico.

De acordo com os especialistas, o navio provavelmente navegava da China em direção a Temasek, antigo porto que mais tarde deu origem à atual Singapura. Portanto, a carga indica que a região já participava de redes comerciais importantes no século XIV.

Porcelanas refinadas chamam atenção

Entre os objetos recuperados, os arqueólogos destacaram tigelas, pratos e recipientes decorados com desenhos elaborados. Muitas peças exibem patos mandarins nadando em lagoas com flores de lótus, um padrão artístico bastante comum naquele período.

Além disso, os especialistas identificaram porcelanas produzidas em diferentes centros ceramistas do sul da China. Entre eles estão as regiões de Jingdezhen, famosa pela produção de porcelana fina, e Longquan, conhecida por suas cerâmicas verdes chamadas celadons.

Essas peças não serviam apenas para uso cotidiano. Pelo contrário, muitas funcionavam como símbolos de status e riqueza. Por isso, comerciantes transportavam esses objetos em grandes quantidades para abastecer mercados distantes.

Comércio marítimo já conectava a Ásia

A descoberta também muda a forma como historiadores enxergam a história de Singapura. Durante muito tempo, estudiosos acreditaram que a área era apenas um pequeno assentamento de pescadores antes da chegada dos colonizadores europeus.

No entanto, o naufrágio mostra outro cenário. A grande quantidade de porcelanas indica que Temasek já operava como um ponto estratégico no comércio marítimo asiático.

Assim, o navio afundado não revela apenas um carregamento valioso. Ele também mostra como mercadores, portos e culturas já formavam uma rede comercial intensa no oceano Índico e no Sudeste Asiático muito antes da globalização moderna.

No fundo do mar, entre fragmentos de porcelana e madeira antiga, a história reaparece. E ela confirma algo simples, mas poderoso. O comércio já conectava povos e continentes séculos antes da era moderna.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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