
A disputa pela herança do médico Miguel Abdalla Netto, avaliada em R$ 5 milhões, ganhou novos desdobramentos policiais nesta terça-feira (10). Silvia Magnani, prima do falecido, compareceu à delegacia para prestar depoimento sobre as recentes invasões à residência do médico. Ela sustenta que o crime foi encomendado por Suzane von Richthofen.
Tese do crime encomendado por Suzane
Portanto, acompanhado por um amigo, que serviu como testemunha, Silvia detalhou que o invasor demonstrou conhecimento específico sobre o imóvel. Imagens de segurança mostram um homem de boné e máscara que ignorou eletrodomésticos de valor para subtrair prioritariamente documentos pessoais e registos sobre a herança.
“Um ladrão comum não levaria documentos e desdenharia de eletrónicos”, afirmou a empresária. A testemunha reiterou, ainda, que houve coordenação na ação para interferir no processo de inventário.
Disputa judicial e inventário
Além disso, apesar da acusação, a Justiça nomeou Suzane como inventariante do espólio. A decisão da 1ª Vara da Família e Sucessões baseia-se no entendimento de que o histórico criminal de Suzane não impede a administração dos bens.
Por outro lado, Silvia Magnani contesta a decisão e já formalizou uma denúncia de furto. Segundo o processo, Suzane teria admitido a posse de um veículo Subaru XV e outros bens do tio sem autorização judicial. Silvia, que alega ter vivido uma união estável de 14 anos com Miguel, tenta agora declarar a prima “indigna” deste património.
Paradeiro de Andreas von Richthofen
Na tentativa de impedir que Suzane assumisse o controlo dos bens, Silvia viajou até São Roque para localizar Andreas von Richthofen, irmão de Suzane. O objetivo era convencê-lo a pleitear a herança. Contudo, a testemunha de Silvia afirmou não ter encontrado Andreas, o qual já manifestou o desejo de renunciar à sua parte do dinheiro.
Morte sob investigação
Miguel Abdalla Netto, que foi o responsável por auxiliar Andreas no inventário dos pais em 2002, foi encontrado morto em 9 de janeiro. Visto que o corpo estava em estado avançado de decomposição e o atestado de óbito foi inconclusivo, a Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita.
A prática de um novo delito, caso confirmada a denúncia de furto ou envolvimento nas invasões, pode levar à regressão da pena de Suzane, que atualmente cumpre os 39 anos de condenação em regime aberto.

