
Onde o presidente Lula perdeu votos entre o 1º turno de 2022 e o de 2026, e em que tipo de município? O cruzamento é entre os dados das 5.570 cidades com números do Censo 2022 e do PIB municipal. Dados do TSE de 2026 ainda são preliminares.
(Lula perdeu votos em 98% dos municípios do Brasil entre o 1º turno de 2022 e o de 2026. No país, a queda foi de 3,3pontos percentuais, mas pesou mais nas cidades pequenas, onde a queda foi de -7,2 p.p nos municípios com até 5 mil habitantes e só −1,1 p.p nos com mais de 500 mil.
A derrota veio do interior. Nas capitais, Lula praticamente manteve o voto de 2022 (−0,6 p.p.) e cresceu em Macapá, Belém, Aracaju, Recife e Brasília. No interior, caiu 4,1 p.p. E não é só tamanho: mesmo comparadas a cidades de porte parecido, as capitais perderam menos.

Por região, a perda se concentra no Sul (−5,5 p.p.) e no Centro-Oeste (−5,2), onde Lula já era mais fraco. No Nordeste, caiu 3,0. Resultado: a distância entre Nordeste e Sul no voto em Lula, que era de 30 p.p. em 2022, subiu para 32,5. O país ficou mais dividido regionalmente.
Em intensidade, a perda de Lula foi maior no Sul (−5,5 p.p.) e no Centro-Oeste (−5,2). Em volume, não: metade da queda nacional veio do Sudeste, que caiu menos (−2,9) mas concentra 41% dos votos válidos. O Sul responde por 26%; Nordeste, 12%; Centro-Oeste, 10%; Norte, 1%.

Onde o agro pesa mais, Lula perdeu mais. Nos municípios em que a agropecuária responde por mais da metade da economia local, a queda típica foi de 8,8 p.p.; onde ela pesa menos de 5%, de 3,9. A relação se mantém comparando cidades do mesmo estado, porte e perfil de renda.
Não foi abstenção. Ela ficou estável: 20,8% do eleitorado em 2022 e em 2026. Medido sobre o total de eleitores aptos, Lula perdeu 2,6 p.p. e o PL ganhou 2,7. E, comparando municípios do mesmo estado, onde a abstenção subiu, Lula não perdeu mais do que onde ela caiu.

Lula perdeu mais no interior, e não nas capitais. Nas cidades pequenas (−7,2 p.p. até 5 mil habitantes; −1,1 acima de 500 mil). E perdeu mais no Sul e no Centro-Oeste. E onde o agro pesa mais (−8,8 p.p. onde ele passa de metade da economia local)
O Sudeste respondeu por 51% da queda nacional, e as cidades com mais de 100 mil habitantes, por 48%. A perda foi mais intensa nos municípios pequenos e mais pesada nos grandes: dois retratos da mesma eleição.

A abstenção ficou estável (20,8% nos dois anos) e o percentual de evangélicos não teve efeito. Ressalvas: dados preliminares do TSE e análise entre municípios, que não mostra como cada eleitor votou. A próxima etapa é por seção eleitoral.
Em votos absolutos, Lula perdeu 3,4 milhões entre 2022 e 2026: 53% disso foi no Sudeste, 29% no Sul e 11% no Centro-Oeste. O PL ganhou 5 milhões de votos, espalhados por todo o país, e a maior fatia veio do Nordeste (32%), onde Lula perdeu só 259 mil votos.

O Nordeste não sustentou a vantagem. Lula manteve seus votos lá (21,7 milhões em 2022; 21,5 milhões em 2026), mas o PL cresceu 1,6 milhão. A margem de Lula na região caiu de 13,0 para 11,1 milhões e já não cobre o déficit no resto do país, que dobrou: de 6,8 para 13,3 milhões.

