
Começou às 9h desta terça-feira (10), o segundo dia de interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro.
O núcleo 1 está em audiência desde a tarde de ontem (9), quando o tenente-coronel do Exército, Mauro Cid, prestou esclarecimentos. Neste momento, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier presta depoimento.
O interrogatório dos réus é uma das últimas fases da ação penal. Os depoimentos seguem até a próxima sexta-feira (13), quando os oito réus pertencentes ao núcleo serão interrogados sobre a trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022
O único réu que irá depor por videoconferência será o general Braga Netto. Vice na chapa de Bolsonaro em 2022, o militar da reserva está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado e obter detalhes da delação de Mauro Cid.
Vale salientar, portanto, que os acusados poderão se recusar a responder perguntas que possam incriminá-los. Assim, a Constituição garante aos investigados o direito de não produzir provas contra si.
Enfim, a expectativa é de que o julgamento ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas passam de 30 anos de prisão.
Motivação do interrogatório de Almir Garnier; ex-comandante
De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), o almirante teria colocado suas tropas à disposição de Bolsonaro para ações golpistas. A fala do militar teria ocorrido durante reunião realizada em 2022 com os comandantes das Forças Armadas. Durante o encontro, Bolsonaro apresentou estudos para decretação de estado de sítio e de operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Núcleo 1: ordem dos depoimentos sobre trama golpista
- Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto.
Depoimento de Mauro Cid no primeiro dia de interrogatório
No primeiro dia de interrogatório, foram ouvidos o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem sobre as acusações de participação na trama.
Durante sua fala, Cid confirmou que esteve presente em reunião na qual foi apresentado ao ex-presidente Jair Bolsonaro documento que previa a decretação de medidas de estado de sítio e prisão de ministros do STF.
O militar também confirmou que recebeu dinheiro do general Braga Netto para que fosse repassado ao major do Exército Rafael de Oliveira, integrante dos kids-pretos, esquadrão de elite da força. Porém, negou que teria conhecimento sobre a quantidade de dinheiro dentro do envelope.
Ramagem negou ter usado o órgão para monitorar ilegalmente a rotina de ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o governo de Jair Bolsonaro.
Com informações da Agência Brasil
A audiência em andamento está prevista para ser encerrada às 20h. Acompanhe ao vivo:

