
Um caso que pode mudar a responsabilidade das redes sociais sobre o conteúdo entregue a crianças está sendo analisado nos Estados Unidos. A mãe Ellen Roome, moradora do Reino Unido, processa o TikTok pela morte de seu filho Jools, de 14 anos. O adolescente morreu após suposta exposição ao “desafio do apagão”, uma prática que incentiva a restrição de oxigênio para causar euforia momentânea.
Batalha da mãe por respostas
Embora o caso tenha ocorrido em solo britânico, a família precisou recorrer à Justiça norte-americana para confrontar a plataforma. Ellen afirma que o TikTok se recusou a fornecer os dados da conta de Jools, alegando políticas de privacidade. Além disso, a empresa informou que os conteúdos acessados pelo jovem podem ter sido apagados.
“Somos os primeiros pais britânicos a processar uma empresa de redes sociais e temos de ir à América para isso, o que é ridículo”, desabafou Ellen ao jornal The Sun. Portanto, a mãe busca a verdade sobre os últimos minutos do filho, que não apresentava sinais de depressão ou tendências suicidas antes da tragédia.
Ação coletiva na Justiça
O processo não é isolado. A ação reúne outras três famílias de Essex que perderam filhos em circunstâncias semelhantes. Entre elas está Lisa Kenevan, mãe de Isaac (13 anos), que encontrou vídeos relacionados ao desafio no celular do filho após sua morte. Assim, os principais argumentos da acusação focam em:
- Negligência algorítmica: as famílias sustentam que os algoritmos direcionam conteúdos nocivos ativamente para o público infantil.
- Falta de transparência: dificuldade em acessar históricos de navegação após óbitos impede investigações policiais precisas.
- Danos irreversíveis: o “desafio do apagão” pode causar danos cerebrais graves e asfixia em questão de minutos, sendo frequentemente tratado nos vídeos como uma “brincadeira”.
Pressão política
A luta de Ellen Roome já ecoa no Parlamento Britânico. Ela defende a criação da “Lei de Jools”, um projeto que prevê a preservação automática de dados on-line em caso de morte de menores. Além disso, a britânica articula apoio para proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos no Reino Unido, seguindo o exemplo recente da Austrália.
Paralelamente ao processo nos EUA, a polícia de Gloucestershire reabriu a investigação sobre a morte de Jools. Dessa forma, o movimento ocorreu após investigadores particulares contratados pela família apontarem falhas graves no inquérito inicial, que durou apenas 23 minutos.
Entenda o desafio e os riscos
O “desafio do apagão” incentiva usuários a prenderem a respiração ou usarem objetos para interromper o fluxo sanguíneo ao cérebro.Por fim, a prática pode levar à morte imediata ou a sequelas neurológicas permanentes.

