
Após a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela no início de 2026, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou declarações em torno da Groenlândia — desencadeando uma nova crise diplomática entre Washington, governos europeus e aliados do Atlântico Norte.
A operação norte-americana em solo venezuelano, que incluiu bombardeios e a captura do presidente Nicolás Maduro, foi amplamente condenada por governos na América Latina e além, sendo classificada como violação do direito internacional por líderes como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que a ação representa um precedente perigoso que pode desestabilizar a ordem global construída após a Segunda Guerra Mundial.
Paralelamente, o presidente dos EUA retomou a ideia de adquirir ou controlar a Groenlândia, uma vasta ilha no Ártico que politicamente pertence ao Reino da Dinamarca. Essa proposta já havia sido mencionada em sua primeira gestão e agora ressurgiu com maior vigor após a Venezuela.
A Groenlândia é a maior ilha do mundo, localizada entre o Oceano Ártico e o Oceano Atlântico Norte, ao nordeste do Canadá. Seu território, coberto em grande parte por gelo permanente, abriga poucos mais de 56 mil habitantes, em sua maioria Inui. Possui autogoverno interno, embora formalmente faça parte da Dinamarca.
Por que então Washington quer a Groenlândia? A resposta está na geopolítica e nos recursos naturais. O crescente derretimento do gelo ártico expande novas rotas de comércio entre Ásia e Europa, tornando a região estratégica para navios e para o controle de rotas marítimas emergentes. Especialistas destacam que a posição geográfica da Groenlândia permite monitorar tráfego naval e aéreo em uma vasta área do norte global. Além disso, suas reservas de minerais críticos — importantes para tecnologia e defesa — atraem interesse econômico.
Questão de segurança
O governo de Donald Trump argumenta que o controle da Groenlândia é essencial à segurança nacional, citando a necessidade de deter influências de potências como Rússia e China no Ártico. Em entrevistas recentes, o presidente afirmou que a presença de navios estrangeiros na região representa risco direto à segurança dos EUA.
No entanto, aliados europeus reagiram com firme oposição. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, classificou qualquer intervenção militar como “fim de tudo” para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ela lembrou que tanto os EUA quanto a Dinamarca são membros da aliança.
Líderes de países como Suécia reforçaram que a retórica agressiva compromete a ordem internacional baseada em regras. Governos de Londres, Paris, bem como Berlim, defenderam a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia.
À medida que as tensões crescem, especialistas alertam para o risco de uma “corrida pelo Ártico”. Isso sem mencionar as consequências que uma tentativa de tomada de território teria sobre a confiança entre aliados históricos. Uma nova era de competição global pode estar se iniciando no extremo norte do planeta.

