
O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou nesta segunda-feira (05), a prisão de pelo menos 14 jornalistas e profissionais da comunicação na Venezuela após a queda de Nicolás Maduro. As detenções ocorreram principalmente dentro e nos arredores da Assembleia Nacional, em Caracas, em meio ao agravamento da crise política. Segundo a entidade, agentes de segurança agiram de forma arbitrária e impediram o exercício do jornalismo no momento em que o país atravessa uma fase decisiva.
Prisões se concentram na Assembleia Nacional
De acordo com o sindicato, 11 dos detidos atuam para veículos internacionais e um trabalha em um meio de comunicação nacional. Além disso, outros profissionais ligados à cobertura jornalística também foram abordados. Parte dos jornalistas já deixou a custódia das autoridades, porém ao menos dez seguem presos, sem informações claras sobre acusações formais ou garantias legais.
As detenções ocorreram enquanto os profissionais cobriam os desdobramentos políticos no Parlamento. Ainda assim, o SNTP reforça que todos exerciam atividades jornalísticas legítimas e identificadas, o que agrava a denúncia de violação de direitos.
Repressão à imprensa se intensifica
Segundo o sindicato, a repressão à imprensa não representa um episódio isolado. Pelo contrário, ela reforça um padrão histórico de perseguição a jornalistas na Venezuela. Nos últimos anos, o país acumulou denúncias de censura, intimidação, bloqueio de sites jornalísticos e prisões baseadas em acusações vagas.
Nesse contexto, o SNTP afirma que criminalizar o jornalismo aprofunda a instabilidade institucional e mina qualquer tentativa real de reconstrução democrática. Por isso, a entidade cobra não apenas a libertação imediata dos detidos, mas também o fim das ações repressivas contra a imprensa.
Sindicato cobra garantias e libertação
Em nota oficial, o SNTP destacou que não há transição democrática possível sem liberdade de expressão. Além disso, o sindicato pediu o desbloqueio de mais de 60 veículos de comunicação censurados na internet e a criação de garantias efetivas para o livre exercício do jornalismo no país.
A entidade lembra que o direito à informação e o direito ao trabalho estão assegurados tanto pela Constituição venezuelana quanto por tratados internacionais assinados pelo país. Portanto, mesmo em períodos de crise política, o Estado deve respeitar esses compromissos.
Momento político amplia preocupação internacional
As prisões acontecem em um momento de forte instabilidade, marcado pela queda de Maduro e pela reorganização do poder político. Diante disso, organizações internacionais de direitos humanos e entidades ligadas à imprensa acompanham a situação com atenção redobrada.
Enquanto isso, a falta de informações oficiais sobre o estado de saúde e as condições legais dos jornalistas presos aumenta a pressão internacional. Para o SNTP, garantir a liberdade de imprensa agora não é apenas uma questão corporativa, mas um passo essencial para qualquer futuro democrático no país.

