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Rússia tenta bloquear Starlink para conter drones da Ucrânia

Militares russos usam guerra eletrônica e camuflam cargas para reduzir ataques ucranianos contra alvos estratégicos

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Rússia tenta bloquear Starlink para conter drones da Ucrânia
Foto: Reprodução / Internet

A Rússia intensificou o uso de bloqueadores eletrônicos para tentar interferir nos sistemas Starlink, da SpaceX, e dificultar ataques de drones ucranianos contra alvos militares atrás das linhas de frente. Com isso, Moscou tenta reduzir a capacidade de Kiev de atingir depósitos, rotas de abastecimento, centros de comando e instalações de defesa. A informação foi relatada por comandantes e pilotos de drones da Ucrânia à Reuters, nesta quarta-feira (8), na região de Zaporizhzhia, no sul do país.

Rússia aposta em guerra eletrônica

A guerra na Ucrânia ganhou uma camada cada vez mais tecnológica. Agora, além de tanques, mísseis e artilharia, russos e ucranianos disputam sinal, conexão, alcance e controle remoto.

Nesse cenário, a Rússia passou a instalar equipamentos de interferência perto de cidades e estruturas militares. Esses aparelhos emitem sinais fortes para tentar derrubar ou enfraquecer a comunicação entre os operadores ucranianos e os drones conectados ao Starlink.

Além disso, Moscou tenta atacar justamente uma das ferramentas que mais ajudaram a Ucrânia desde o início da guerra. O Starlink permite comunicação por internet via satélite e, por isso, sustenta parte importante das operações militares ucranianas. Com o sistema, pilotos conseguem controlar drones a distância e alcançar alvos a dezenas de quilômetros da linha de combate.

Bloqueadores tentam cortar conexão dos drones

Segundo militares ucranianos, a Rússia usa um sistema chamado Volna Kupol Garant. O equipamento cria interferência em uma área de cerca de 20 km² e pode afetar conexões do Starlink.

De acordo com Serhii Beskrestnov, assessor do Ministério da Defesa da Ucrânia, Kiev já detectou cerca de dez unidades desse tipo. Ainda assim, os ucranianos não ficaram apenas na defesa. Pelo contrário, passaram a caçar os bloqueadores russos.

O 422º Regimento de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia afirmou que ajudou a atacar dois desses equipamentos. Em um dos casos, segundo os militares, a força ucraniana destruiu o sistema poucas horas depois de localizá-lo, em uma operação conjunta com o serviço de segurança do país.

Logo depois, conforme relatou um comandante identificado pelo codinome Dyryhent, drones equipados com Starlink voltaram a operar normalmente na área. Ou seja, a Ucrânia tenta neutralizar rapidamente qualquer tentativa russa de cortar a conexão.

Ucrânia amplia pressão com drones

Enquanto isso, os drones de médio alcance se consolidaram como uma das principais armas da Ucrânia em 2026. Eles custam menos que mísseis tradicionais, exigem menos estrutura e conseguem atingir pontos importantes da logística russa.

Com esses equipamentos, Kiev passou a atacar linhas de suprimento, depósitos de combustível, sistemas de defesa aérea e centros de comando. Assim, a Ucrânia aumentou a pressão sobre a retaguarda russa e afetou a capacidade de movimentação das tropas.

Além disso, os ataques causaram impacto em áreas ocupadas pela Rússia. Segundo a Reuters, as operações contribuíram para problemas de abastecimento de combustível na Crimeia, território anexado por Moscou em 2014.

Por isso, a Rússia tenta reagir de forma mais agressiva. Primeiro, busca derrubar a comunicação dos drones. Depois, tenta esconder melhor seus alvos. Na prática, Moscou tenta transformar cada deslocamento em uma operação mais difícil de rastrear.

Moscou camufla cargas e muda rotas

Além da guerra eletrônica, forças russas passaram a camuflar cargas militares em veículos civis, segundo comandantes ucranianos. A estratégia tenta confundir a vigilância aérea e reduzir a eficiência dos ataques de Kiev.

Militares da Ucrânia afirmam que a Rússia usa caminhões disfarçados, carros pequenos, motos, quadriciclos e até estruturas agrícolas para transportar ou esconder suprimentos. Além disso, a inteligência militar ucraniana relatou o uso de postos de combustível civis para armazenar combustível destinado às forças russas.

Ao mesmo tempo, Moscou também mudou a forma de transportar cargas. Agora, os russos formam pequenos comboios com caminhões-tanque protegidos por picapes armadas com metralhadoras. Em seguida, usam estradas secundárias para tentar escapar dos drones.

Com isso, a Rússia busca reduzir perdas e manter o fluxo de combustível, munição e equipamentos. No entanto, a Ucrânia continua mirando a retaguarda inimiga e tenta quebrar justamente essa cadeia de abastecimento.

Reuters não confirmou todas as táticas

A Reuters informou que não conseguiu verificar de forma independente todas as táticas atribuídas à Rússia. A SpaceX, responsável pelo Starlink, não respondeu ao pedido de comentário da agência. O Ministério da Defesa da Rússia também não se manifestou.

Ainda assim, especialistas veem os ataques ucranianos de médio alcance como um dos movimentos mais relevantes da guerra neste ano. Eles pressionam a logística russa, obrigam Moscou a adaptar rotas e ampliam o custo da ocupação.

Apesar disso, os ataques não interromperam os bombardeios russos contra a Ucrânia. A Rússia ainda controla cerca de um quinto do território ucraniano, quatro anos depois do início da invasão em larga escala.

Conflito entra em nova fase tecnológica

A tentativa russa de bloquear o Starlink mostra como a guerra também se decide em campos invisíveis. Hoje, cada sinal derrubado pode impedir um ataque. Da mesma forma, cada bloqueador destruído pode abrir caminho para uma nova operação.

Assim, Rússia e Ucrânia travam uma disputa cada vez mais intensa pela superioridade tecnológica. No ar, os drones procuram alvos. No solo, os bloqueadores tentam cortar a conexão. E, no meio desse embate, a guerra avança com menos ruído, mas com alto impacto.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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