
A Meta retirou, na sexta-feira (10), um recurso de inteligência artificial que permitia usar conteúdos de perfis públicos do Instagram como referência para criar novas imagens. A empresa tomou a decisão poucos dias após o lançamento da ferramenta Muse Image, depois que usuários, artistas e entidades criticaram a falta de consentimento claro para o uso das fotos.
A companhia apresentou o Muse Image na terça-feira (7). Inicialmente, o sistema permitia que uma pessoa mencionasse uma conta pública do Instagram em um comando para a Meta AI. Em seguida, a inteligência artificial analisava o conteúdo disponível naquele perfil e produzia uma nova imagem com base nas referências encontradas.
Recurso gerou reação imediata
No entanto, a novidade rapidamente provocou uma onda de críticas. Usuários questionaram, principalmente, a possibilidade de terceiros utilizarem rostos, fotografias e estilos visuais sem solicitar autorização direta aos responsáveis pelos perfis.
Além disso, o Instagram não avisava o dono da conta quando alguém usava seu conteúdo para gerar uma imagem. Por isso, críticos afirmaram que o modelo reduzia o controle dos usuários sobre a própria imagem e abria espaço para a criação de representações digitais sem consentimento.
A preocupação aumentou porque a configuração atingia contas públicas de pessoas maiores de 18 anos. Dessa forma, o recurso poderia acessar publicações, vídeos e outras referências visuais disponíveis nesses perfis.
Embora a Meta oferecesse uma opção para limitar o uso do conteúdo, muitos usuários precisavam alterar manualmente as configurações do Instagram. Portanto, organizações de defesa da privacidade criticaram o modelo adotado pela empresa, que priorizava a exclusão voluntária em vez de pedir uma autorização prévia.
Meta reconhece que ferramenta falhou
Diante da repercussão negativa, a Meta atualizou o comunicado de lançamento e confirmou a retirada do recurso. A empresa declarou que pretendia oferecer uma ferramenta criativa e, ao mesmo tempo, permitir que os usuários controlassem o uso dos próprios conteúdos.
Ainda assim, a companhia reconheceu que a iniciativa não alcançou esse objetivo. Por isso, bloqueou a possibilidade de mencionar contas públicas do Instagram para gerar imagens no Meta AI.
A decisão não encerra o Muse Image por completo. A Meta mantém o modelo disponível para outras funções de geração e edição de imagens. Contudo, a plataforma retirou especificamente a opção que utilizava conteúdos de contas públicas mencionadas pelos usuários.
Artistas alertaram para réplicas digitais
Ao mesmo tempo, representantes do setor artístico ampliaram a pressão sobre a companhia. O sindicato norte-americano SAG-AFTRA, que representa atores e outros profissionais do entretenimento, alertou para o risco de criação de réplicas digitais sem autorização.
A entidade afirmou que empresas de tecnologia precisam garantir controle real sobre o uso da imagem, da voz e da identidade das pessoas. Depois da retirada do recurso, o sindicato classificou a decisão da Meta como necessária e responsável.
Além dos artistas, fotógrafos e criadores de conteúdo também demonstraram preocupação. Isso porque a inteligência artificial poderia reproduzir não apenas características físicas, mas também elementos de composição, iluminação e identidade visual presentes em trabalhos publicados no Instagram.
Caso reforça debate sobre inteligência artificial
A reação contra o Muse Image reforça um debate que cresce à medida que as empresas incorporam inteligência artificial às redes sociais. De um lado, as plataformas apresentam recursos que facilitam a criação de conteúdos. Do outro, usuários cobram transparência, autorização prévia e mecanismos simples de proteção.
Nesse cenário, a retirada do recurso mostra que uma conta pública não significa autorização automática para qualquer tipo de reutilização. Também evidencia que as empresas precisam explicar, de forma direta, como seus sistemas acessam imagens e como os usuários podem impedir esse uso.
Por fim, a decisão da Meta interrompeu uma ferramenta que permaneceu disponível por poucos dias. Entretanto, o episódio deixou um alerta duradouro: a inovação pode avançar rapidamente, mas precisa respeitar o consentimento de quem produz e publica o conteúdo.

