
O governo de Cuba anunciou, nesta quinta-feira (2), a libertação de 2.010 prisioneiros. A decisão, descrita pelas autoridades como um “gesto humanitário e soberano”, marca o segundo indulto concedido apenas neste ano e o quinto desde 2011. Embora Havana vincule a soltura à tradição da Semana Santa, o anúncio acontece em um momento de crise econômica e pressão diplomática exercida por Washington.
Critérios de seleção e rigor penal
Para viabilizar a medida, o Judiciário cubano realizou uma revisão individual de cada detento. Nesse sentido, o governo priorizou grupos vulneráveis e aqueles com bom histórico carcerário. Entre os beneficiados estão:
- Jovens e mulheres;
- Pessoas com mais de 60 anos;
- Estrangeiros e cubanos que residem no exterior;
- Detentos próximos de cumprir a pena total.
Em contrapartida, a gestão comunista manteve o rigor contra crimes considerados de alto impacto social. Dessa forma, permaneceram encarcerados condenados por homicídio, agressão sexual, tráfico de drogas, roubo com uso de armas e corrupção de menores, além de criminosos reincidentes.
Tensões entre Cuba e Washington
A libertação ocorre sob a sombra da política externa de Donald Trump. O presidente norte-americano intensificou as sanções contra a ilha, visando uma mudança de regime. Como consequência direta, os EUA impuseram restrições ao petróleo venezuelano e aplicaram tarifas a países que exportam combustível para Cuba.
Devido a esse bloqueio, o país enfrenta apagões sistemáticos em todo o território. A crise energética já reflete em indicadores sociais críticos: autoridades de saúde alertam que a falta de energia eleva o risco de morte para pacientes vulneráveis, especialmente crianças em tratamento contra o câncer.
Alianças e ajuda humanitária
Diante do colapso, Cuba busca apoio internacional. Recentemente, um navio russo com 100 mil toneladas de petróleo atracou na ilha para aliviar o desabastecimento. Além disso, o Brasil enviou ajuda humanitária composta por alimentos e medicamentos.
Além disso, o governo cubano recorreu ao Vaticano. Por fim, o objetivo é que a Igreja intermedeie negociações para suavizar o embargo de combustível e garantir a sobrevivência de serviços básicos.

