
Em 2025, na cidade de Coober Pedy, localizada no deserto da Austrália Meridional, cerca de 3 mil moradores seguem vivendo em residências escavadas no subsolo. A escolha não é estética nem turística, é sobrevivência. A região enfrenta temperaturas que superam os 45°C no verão. Por isso, desde o início do século XX, a população decidiu morar debaixo da terra para garantir conforto térmico, segurança e qualidade de vida.
Calor extremo mudou a forma de morar
Primeiro, vieram os garimpeiros de opala. Depois, veio a constatação inevitável. Viver na superfície era insustentável. Assim, os moradores passaram a escavar suas próprias casas no solo rochoso. Com isso, criaram os chamados dugouts, moradias subterrâneas que mantêm a temperatura interna estável durante todo o ano.
Enquanto lá fora o sol castiga, no subsolo o clima permanece agradável, variando entre 23°C e 25°C. Dessa forma, o uso de ar-condicionado se torna desnecessário. Além disso, o consumo de energia cai drasticamente. Como resultado, o custo de vida também diminui.
Uma cidade que funciona debaixo da terra
Em Coober Pedy, não são apenas casas. Aos poucos, a cidade inteira desceu. Igrejas, hotéis, lojas, bares e até galerias de arte funcionam no subsolo. Assim, a rotina acontece longe do calor escaldante e da poeira do deserto.
Além do conforto térmico, os moradores destacam outros benefícios. O silêncio é constante. A escuridão é controlada. A sensação de abrigo é permanente. Por isso, muitos afirmam que não trocariam a vida subterrânea por nenhuma outra.
Mineração, turismo e identidade local
A mineração de opalas continua sendo a base econômica da cidade. No entanto, com o tempo, o turismo ganhou força. Hoje, visitantes do mundo inteiro chegam curiosos para conhecer como é viver embaixo da terra. Muitos hotéis oferecem quartos subterrâneos, o que virou marca registrada da cidade.
Inclusive, o próprio nome Coober Pedy vem de uma expressão aborígene que pode ser traduzida como “homem no buraco”. Ou seja, a identidade local sempre esteve ligada a essa forma única de habitar o território.
Um modelo que chama atenção do mundo
Embora pareça extremo, o modelo de Coober Pedy desperta interesse em um planeta cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas. Em tempos de ondas de calor mais frequentes e intensas, soluções como essa deixam de parecer exóticas e passam a ser vistas como alternativas viáveis.
Assim, o que começou como improviso virou estratégia. O que era exceção virou regra. E o que parecia impensável se tornou cotidiano.

