
A International Football Association Board (IFAB) anunciou nesta semana o apoio a uma série de novas regras que buscam otimizar o fluxo das partidas e reduzir as interrupções, de acordo com um comunicado oficial da entidade. Entre os destaques está a ampliação do sistema de árbitro assistente de vídeo (VAR). Que agora poderá intervir em lances relacionados a segundas advertências com cartão amarelo e cobranças de escanteio, desde que não prejudique a continuidade do jogo.
Durante a última reunião anual, realizada em Londres no dia 20 de janeiro e presidida por Noel Mooney, diretor executivo da Associação de Futebol de Gales, a IFAB explicou que o VAR terá a capacidade de revisar cartões vermelhos decorrentes de segunda amarelinha, desde que haja provas claras de erro na aplicação da penalidade.
O mesmo se aplicará a casos em que o time errado receba punicão com cartão amarelo ou vermelho. Além disso, decisões sobre escanteios poderão ter revisão se ocorrerem pore engano, desde que a revisão seja imediata. Segundo a IFAB, essas alterações representam “extensões específicas” do protocolo VAR já existente, sem alterar o fluxo do jogo.
Novas regras
O diário britânico The Guardian destacou que a IFAB mantém o princípio de que o VAR deve intervir apenas em situações que realmente impactam o resultado: gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e confusões de identidade. A entidade não apoia uma expansão indiscriminada do uso do vídeo-arbitragem. Considerando as novas medidas ajustes pontuais para melhorar a justiça esportiva sem sacrificar o ritmo das partidas.
As mudanças propostas incluem a manutenção do limite de oito segundos para goleiros soltarem a bola com as mãos e a imposição de dez segundos para que jogadores substituídos deixem o campo. Atendimentos médicos em campo obrigarão os atletas a permanecerem fora do gramado por algum período, ainda indefinido. Outras medidas visam reduzir interrupções artificiais, como a aplicação de contagem regressiva em saques de lateral e de meta.
Entre os ajustes concretos para acelerar o jogo estão:
- Contagem regressiva ampliada: após testes bem-sucedidos com goleiros, a IFAB propõe aplicar regra similar para saques de lateral e de meta, com possibilidade de perda de posse caso o tempo seja excedido.
- Substituições mais ágeis: limite de dez segundos para que o jogador substituído saia de campo.
- Atendimento médico regulado: jogadores atendidos em campo deverão permanecer fora do jogo por tempo pré-definido, a fim de reduzir simulações e interrupções constantes.
Reunião técnica com impacto global
A reunião, correspondente ao Annual Business Meeting (ABM), teve caráter técnico e estratégico, presidida por Noel Mooney. Embora não tenha incluído votações formais, o encontro definiu o escopo das propostas que serão levadas à Assembleia Geral Anual (AGM), marcada para 28 de fevereiro de 2026 em Gales, onde poderão ser aprovadas ou rejeitadas mudanças aplicáveis a partir da temporada 2026/27 e no caminho para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá.
Fora de jogo e a “Lei Wenger”
No campo do impedimento, a IFAB continuará com testes da chamada “Lei Wenger”, proposta pelo ex-treinador e atual chefe de desenvolvimento do futebol mundial da FIFA, Arsène Wenger. A regra estabelece que um jogador só estará em posição irregular se todo seu corpo ultrapassar completamente o último defensor.
Ainda não há consenso para implementação total, e a Premier League canadense será um dos primeiros laboratórios de teste a partir de abril. UEFA e as quatro federações britânicas fundadoras da IFAB mostraram reservas, preocupadas com impacto defensivo e na dinâmica das partidas.
A IFAB confirmou que os testes do “Daylight Offside” continuam em fase experimental, sem aplicação obrigatória no curto prazo. A FIFA, no entanto, se mostrou favorável a revisar a regra, e o presidente Gianni Infantino afirmou recentemente em Dubai: “Talvez, no futuro, o atacante precise estar completamente à frente para que seja considerado impedido”.
O encontro também abordou avanços tecnológicos:
- Fora de jogo semiautomático (SAOT): continuará sendo utilizado com tecnologia avançada.
- Football Video Support (FVS): sistema mais acessível para competições de menor infraestrutura, funcionando como complemento ao VAR.
- Câmeras corporais para árbitros: utilizadas principalmente para treinamento, avaliação e transparência, sem interferir diretamente nas decisões do jogo.
- A IFAB também detalhou medidas de interpretação:
- Pênaltis e toque acidental: clarificação sobre gols decorrentes de toque involuntário com o pé de apoio, evitando polêmicas, como casos recentes envolvendo Julián Álvarez.
Relação árbitro-jogadores: apenas o capitão pode se dirigir ao árbitro em situações de tensão, garantindo ordem e proteção.
As decisões finais serão conhecidas em 28 de fevereiro, quando a IFAB votará oficialmente as mudanças a serem incorporadas ao regulamento mundial durante a Assembleia Geral Anual em Gales.

