
A África do Sul prepara uma operação de R$ 127 milhões para eliminar cerca de 1 milhão de camundongos invasores da Ilha Marion. O território fica no sul do Oceano Índico, próximo à Antártida.
Os roedores atacam aves marinhas, invadem ninhos e destroem o equilíbrio do ecossistema. Por isso, ambientalistas e autoridades criaram o projeto Mouse-Free Marion, ou Marion Livre de Camundongos.
Durante a operação, helicópteros espalharão aproximadamente 550 toneladas de iscas com veneno por toda a ilha. Se a estratégia funcionar, o projeto realizará a maior erradicação de camundongos já executada em uma única ação.
Como 1 milhão de ratos dominaram a ilha?
Caçadores de focas e marinheiros levaram camundongos domésticos acidentalmente para a Ilha Marion no início do século 19.
Como o território não possuía predadores naturais, os animais se reproduziram rapidamente. Além disso, o aumento das temperaturas e o clima mais seco reduziram a mortalidade dos roedores durante o inverno.
Consequentemente, a população cresceu e passou a disputar alimento. Diante da escassez de insetos e outras fontes, os camundongos começaram a atacar ovos, filhotes e aves adultas.
As aves, por outro lado, não desenvolveram mecanismos de defesa contra mamíferos terrestres. Por isso, os roedores encontram pouca resistência durante os ataques.
Como os helicópteros eliminarão os ratos?
As equipes usarão helicópteros para lançar iscas com raticida em toda a Ilha Marion. Ao todo, os pilotos precisarão cobrir cerca de 30 mil hectares.
Durante os voos, sistemas de GPS indicarão as rotas. Dessa forma, os helicópteros distribuirão as iscas de maneira uniforme, inclusive em áreas de difícil acesso.
A operação deverá:
- espalhar aproximadamente 550 toneladas de iscas;
- cobrir os 30 mil hectares da ilha;
- usar helicópteros equipados com GPS;
- atuar durante o inverno, quando os roedores encontram menos alimento;
- distribuir iscas manualmente em cavernas e túneis de lava;
- monitorar a região após a aplicação.
Além disso, os profissionais precisarão alcançar todos os camundongos. Afinal, se uma única fêmea grávida sobreviver, poderá reconstruir a população e comprometer todo o investimento.
Por que os ratos ameaçam tantas aves?
A Ilha Marion abriga milhões de aves e quase metade da população mundial de albatrozes-errantes. No entanto, os camundongos avançam sobre ovos, filhotes e animais adultos.
Segundo os pesquisadores, os roedores ameaçam provocar o desaparecimento local de 19 das 28 espécies de aves marinhas que se reproduzem na ilha.
Além disso, as aves transportam nutrientes do oceano para a terra por meio das fezes. Portanto, quando a população de pássaros diminui, a vegetação, os insetos e a vida marinha próxima da costa também sofrem impactos.
Assim, os ratos não ameaçam apenas algumas espécies. Na prática, eles colocam todo o ecossistema da ilha em risco.
O veneno poderá atingir outros animais?
Os responsáveis reconhecem que a operação também envolve riscos. Por isso, estudam experiências semelhantes realizadas em outras ilhas antes de iniciar a distribuição das iscas.
As equipes escolherão o período de aplicação para reduzir a presença de espécies vulneráveis. Além disso, pesquisadores acompanharão aves e outros animais antes, durante e depois da operação.
O projeto também realizará testes e treinamentos. Com isso, os especialistas pretendem reduzir os impactos sobre espécies que não são alvo da ação.
Agora, os responsáveis buscam recursos e finalizam o planejamento logístico. Embora a missão seja cara e complexa, os pesquisadores alertam que a falta de ação poderá levar várias espécies ao desaparecimento na Ilha Marion.

