
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma série de crimes brutais cometidos dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta. O principal suspeito, o técnico de enfermagem Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, é acusado de matar ao menos três pacientes. Segundo o inquérito, ele injetava cloreto de potássio e desinfetante diretamente na corrente sanguínea das vítimas.
Investigação da Polícia
As investigações revelam que o suspeito agia de forma calculada. Marcos Vinicius utilizava senhas de médicos que não estavam no plantão para prescrever substâncias controladas no sistema do hospital.
Com o registro falso, ele retirava medicamentos na farmácia e os aplicava nos pacientes. De acordo com o delegado Wislley Salomão, a reação era imediata. “Toda vez que ele injetava alguma medicação, as vítimas apresentavam paradas cardíacas em segundos”, afirma a autoridade.
Além do cloreto de potássio, que causa arritmias graves e parada cardíaca se aplicado incorretamente, o técnico também utilizava desinfetante hospitalar para selar o destino dos internados.
Vítimas do crime
A apuração interna do hospital e a perícia policial identificaram três vítimas fatais até o momento:
- Miranilde Pereira da Silva (75 anos): Sofreu quatro paradas cardíacas antes de falecer. O técnico injetou desinfetante na frente de familiares, que acreditavam tratar-se de um procedimento de salvamento.
- João Clemente Pereira (63 anos): Recebeu doses de potássio e desinfetante na mesma noite que Miranilde.
- Marcos Raymundo Moreira: Morreu em dezembro após receber uma injeção aplicada pelo técnico.
Além disso, a polícia prendeu as técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa. As investigações indicam que ambas presenciaram os atos e participaram das manobras de ressuscitação sem denunciar o colega ou impedir as aplicações letais.
Motivação e defesa
Após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da UTI, Marcos Vinicius confessou os crimes. Inicialmente, ele alegou que o hospital estava “muito movimentado” e, posteriormente, afirmou que desejava “aliviar a dor dos pacientes”. Entretanto, a polícia descarta essas justificativas e busca a real motivação dos assassinatos.
Portanto, em nota, a defesa do técnico informou que se manifestará apenas nos autos do processo. Já os advogados das técnicas negam a participação dolosa: a defesa de Marcela busca restabelecer sua dignidade, enquanto a de Amanda alega que ela foi “manipulada” por Marcos, com quem mantinha um relacionamento amoroso.
Posicionamento das instituições
Dessa forma, o Hospital Anchieta repudiou os atos, classificando-os como condutas criminosas individuais e isoladas. Assim, a instituição afirmou que colabora com as autoridades e que a sindicância interna foi fundamental para identificar os suspeitos.
Por outro lado, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF) manifestou preocupação com a imagem da categoria, ressaltando que o caso não reflete o compromisso ético dos profissionais de saúde do Distrito Federal.

