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Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de aplicar desinfetante e matar pacientes em UTI

Além das três mortes confirmadas, outras 20 ocorridas no hospital estão em investigação sob suspeita de assassinato

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Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de aplicar desinfetante e matar pacientes em UTI
Além das prisões, a Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão. Foto: Polícia Civil

Três técnicos de enfermagem são presos suspeitos de cometerem três assassinatos, nos meses de novembro e dezembro do ano passado, no Hospital Anchieta, Distrito Federal. Os crimes cometidos de forma cruel foram contra pacientes internados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que não tinham chance alguma de se defender.

Conforme as investigações, em um dos assassinatos, o técnico aplicou desinfetante 10 vezes em uma idosa de 75 anos, com uso de uma seringa. Isso aconteceu após ele aplicar outra substância que não resultou na morte. As aplicações ocorreram todas no mesmo dia, o que levou a paciente a ter várias paradas cardíacas e morrer na sequência.

Em outro caso, o mesmo técnico, de 24 anos, usou o login de um médico, que já estava fixo no computador para acessar o sistema e receitou um medicamento “errado”. Ele ainda buscou o remédio na farmácia e aplicou nas três vítimas sem consultar a equipe médica.

Depois de cometer os dois assassinatos, o suspeito fez massagens cardíacas nos pacientes para mostrar que estava tentando reanimá-los e mascarar a autoria do crime.

Outras duas técnicas de enfermagem são suspeitas de ajudar o acusado dos assassinatos. Assim, os policiais também prenderam as duas profissionais, que poderão responder por homicídio. Pois, mesmo não participando da aplicação das substâncias, ambas foram negligentes por não denunciarem ao hospital nem à Polícia.

Provas levantadas na investigação

“Temos os vídeos demostrando as ações dessas pessoas e a análise dos prontuários médicos, com tudo o que foi realizado com esses pacientes. Existem elementos convincentes de que o técnico de enfermagem se passou pelo médico, entrou no sistema que estava aberto e fez a prescrição dos medicamentos. Ele foi até a farmácia, preparou a substância e escondeu em seu jaleco, aplicando-os nas veias das vítimas”, disse o delegado Wisllei Salomão, coordenador da CHPP, em entrevista coletiva.

Prisões dos técnicos de enfermagem

As prisões ocorreram no dia 11 de janeiro, porém a divulgação do caso aconteceu recentemente à mídia. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

As investigações seguem em adamento e em sigilo a fim de identificar possíveis outros envolvidos e se já ocorreram outros casos na mesma instituição envolvendo os profissionais. Vale salientar que 20 mortes estão em investigação.

O que diz o hospital

O Hospital Anchieta disse que, “ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva”. Ainda, a instituição instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial.

Os ex-técnicos de enfermagem supostamente envolvidos nos crimes foram demitidos e as famílias das vítimas foram informadas.

Confira a nota na íntegra:

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”

Vítimas dos técnicos de enfermagem
  • uma professora aposentada de 75 anos, de Taguatinga;
  • um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I;
  • um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.