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Feminicídios batem recorde no Brasil e mantêm alerta em SC

País registra alta contínua, enquanto SC estabiliza mortes, mas vê crescer a violência extrema nas tentativas

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Feminicídios batem recorde no Brasil e mantêm alerta em SC
Foto: Divulgação - Arquivo / PMSC - Redes Sociais

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, maior número da série histórica, enquanto Santa Catarina contabilizou 52 casos no mesmo período, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os dados mais recentes mostram avanço nacional, estabilidade no estado e aumento nas tentativas, o que acende um alerta direto sobre a violência doméstica, principal causa dessas mortes, que seguem ocorrendo dentro de casa e praticadas, na maioria das vezes, por parceiros ou ex-companheiros.

Brasil amplia número de feminicídios e pressiona sistema

O país ampliou os registros de feminicídio e consolidou um cenário de crescimento contínuo. Em 2024, foram 1.492 casos. Em 2025, o número subiu para 1.568.

Além disso, quando se incluem as tentativas, o cenário se torna ainda mais grave. O Brasil registrou 6.904 vítimas em 2025, entre mortes e ataques com intenção de matar, segundo a Agência Brasil.

Na prática, isso significa que o país não enfrenta apenas mortes, enfrenta uma escalada de violência que avança antes do desfecho fatal. Portanto, o problema é maior do que os números finais indicam.

Violência se concentra dentro das relações

Os dados reforçam um padrão claro e repetitivo. Em primeiro lugar, a maioria dos crimes ocorre dentro da residência da vítima. Entre 2021 e 2024, esse cenário representou 66,3% dos casos.

Além disso, os autores não são desconhecidos. Pelo contrário, mais de 80% têm vínculo direto com a vítima. Companheiros respondem por 59,4% dos casos, enquanto ex-companheiros representam 21,3%.

Ou seja, o feminicídio não nasce no acaso. Ele se constrói dentro da relação, cresce em ciclos de violência e, por fim, explode de forma letal.

Arma branca lidera, mas arma de fogo segue relevante

Quando se analisa o meio utilizado, o país apresenta um padrão consistente. Entre 2021 e 2024, a arma branca liderou com 48,7% dos casos.

Ao mesmo tempo, a arma de fogo apareceu em 25,2% dos feminicídios. Portanto, ela não é o principal meio, mas ainda representa um vetor relevante de morte.

Por outro lado, quando se analisam os homicídios de mulheres em geral, o cenário muda de forma significativa. Em 2024, 47% desses crimes ocorreram com arma de fogo, segundo o Instituto Sou da Paz.

Assim, fica claro que misturar os dois recortes distorce a leitura. Feminicídio e homicídio de mulheres não são a mesma coisa, embora se cruzem.

Estados mostram realidades diferentes

Em números absolutos, estados mais populosos concentram mais casos. São Paulo lidera com 270 feminicídios em 2025, seguido por Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.

No entanto, quando se observa a taxa por população, o cenário muda completamente. Estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul apresentam os maiores índices proporcionais.

Dessa forma, os dados mostram duas realidades simultâneas. De um lado, volume. De outro, risco proporcional. E os dois precisam ser analisados juntos.

Santa Catarina mantém estabilidade, mas risco aumenta

Santa Catarina manteve praticamente o mesmo número de feminicídios nos últimos dois anos. Foram 51 casos em 2024 e 52 em 2025.

No entanto, ao mesmo tempo, o estado registrou aumento nas tentativas. Em 2025, foram 225 ocorrências, crescimento de 6,6%.

Além disso, 2026 já começou com sinal de alerta. Até fevereiro, o estado registrou oito feminicídios. Esse ritmo indica uma aceleração preocupante.

Portanto, embora o número de mortes esteja estável, a violência extrema cresce antes de se concretizar. E isso muda completamente a leitura do cenário.

Arma de fogo tem menor peso em SC, mas segue presente

No recorte mais detalhado disponível, Santa Catarina registrou nove feminicídios com arma de fogo em 2023, cerca de 15,8% do total, segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina.

Isso confirma o padrão nacional. A arma branca lidera nos feminicídios.

Por outro lado, quando se analisam os homicídios de mulheres em geral, 24% ocorreram com arma de fogo em 2024, segundo o Instituto Sou da Paz. Esse índice está entre os menores do país.

Ainda assim, a arma de fogo segue sendo um fator relevante. Ela não lidera, mas continua matando.

Leitura direta dos dados

Os números não deixam espaço para dúvida. O Brasil enfrenta uma violência que não está apenas nas ruas, mas dentro das relações.

Enquanto alguns crimes diminuem, o feminicídio cresce. Além disso, as tentativas aumentam, o que indica uma escalada silenciosa e contínua.

Santa Catarina segue dentro desse cenário. O estado não apresenta explosão de casos, mas também não consegue reduzir o problema de forma consistente.

Onde buscar ajuda e denunciar

Diante desse cenário, denunciar pode salvar vidas. O Brasil conta com canais gratuitos e disponíveis 24 horas.

O principal é o Ligue 180, central de atendimento à mulher, que orienta, acolhe e encaminha denúncias em todo o país.

Além disso, em casos de emergência, a vítima ou qualquer pessoa pode acionar o 190, da Polícia Militar, para atendimento imediato.

Também é possível registrar ocorrência diretamente em delegacias, especialmente nas Delegacias da Mulher, presentes em várias cidades.

Outro caminho é o Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos.

Por fim, aplicativos estaduais e canais online também permitem registrar denúncias de forma rápida e, em muitos casos, anônima.

No fim das contas, o retrato é claro. O feminicídio não é um evento isolado, é um padrão estruturado de violência contra a mulher. Portanto, enfrentar esse problema exige agir antes da morte, interromper ciclos de violência e fortalecer redes de proteção. E, acima de tudo, exige denúncia. Porque cada ligação, cada registro e cada pedido de ajuda pode ser a diferença entre mais um número na estatística ou uma vida preservada.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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