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Contrabando de canetas emagrecedoras explode no Brasil

Apreensões crescem mais de dez vezes e escancaram novo mercado ilegal vindo do Paraguai

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Contrabando de canetas emagrecedoras explode no Brasil
Foto: Reprodução/TMC

O contrabando de canetas emagrecedoras disparou no Brasil entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados na segunda-feira (23) pela Receita Federal. O aumento ocorre principalmente nas regiões de fronteira com o Paraguai e revela um mercado ilegal que cresce impulsionado pela alta procura por medicamentos para emagrecimento e pela venda sem receita médica.

Apreensões crescem em ritmo acelerado

As autoridades apreenderam 30.011 unidades em 2025. No ano anterior, o número chegou a apenas 2.544. Ou seja, o volume aumentou 1.079% em apenas um ano. Esse salto mostra que o contrabando se estruturou rapidamente e passou a operar em larga escala.

Além disso, o impacto financeiro também cresceu. A Receita Federal estima que as apreensões representaram um prejuízo de cerca de R$ 31,8 milhões para os grupos criminosos. Esse valor reforça o tamanho do mercado ilegal que se formou em torno desses produtos.

Ao mesmo tempo, o contrabando se espalhou pelo país. Em 2024, as apreensões ocorreram em 11 estados. Já em 2025, esse número subiu para 18. Portanto, o problema deixou de ser regional e passou a ter alcance nacional.

Queda no preço impulsiona expansão

Outro fator chama atenção. O preço médio das canetas caiu drasticamente. Antes, cada unidade custava cerca de R$ 2,7 mil. Agora, o valor gira em torno de R$ 1 mil.

Essa redução indica uma mudança clara na estratégia dos criminosos. Em vez de focar apenas em produtos caros, eles passaram a apostar no volume. Com preços mais baixos, o acesso se amplia e o número de compradores aumenta. Consequentemente, o contrabando cresce ainda mais.

Fronteira com o Paraguai concentra entrada ilegal

A maior parte das apreensões ocorre no Paraná, principalmente na região de fronteira com Ciudad del Este. Somente nos primeiros 49 dias de 2026, os fiscais apreenderam 14.685 unidades. Esse número quase iguala todo o volume apreendido no ano anterior.

Os contrabandistas aproveitam o tamanho pequeno das canetas para esconder os produtos em malas, mochilas e cargas comuns. Assim, eles tentam driblar a fiscalização. No entanto, o aumento das operações também elevou o número de apreensões.

Internet facilita venda ilegal

Depois de entrar no país, os produtos chegam rapidamente aos consumidores. Vendedores anunciam as canetas em redes sociais e aplicativos de mensagens. Em muitos casos, eles oferecem entrega direta na casa do comprador.

Além disso, os próprios vendedores orientam o uso, mesmo sem formação médica. Esse cenário aumenta o risco, porque o consumidor utiliza substâncias sem avaliação profissional. Ainda assim, o preço mais baixo atrai novos compradores todos os dias.

Autoridades alertam para riscos graves

A Anvisa reforça que o uso desses medicamentos exige prescrição médica e acompanhamento profissional. Sem esse controle, o paciente pode sofrer efeitos graves, como inflamações, reações adversas e outras complicações.

Além disso, produtos contrabandeados podem ser falsificados ou armazenados de forma inadequada. Isso compromete a eficácia e aumenta os riscos à saúde.

Novo foco do crime organizado

O avanço do contrabando mostra uma mudança clara no perfil desse tipo de crime. Antes, os criminosos priorizavam eletrônicos e cigarros. Agora, eles focam medicamentos de alta demanda e alto valor.

Ao mesmo tempo, a busca por soluções rápidas para emagrecimento alimenta esse mercado clandestino. Enquanto a procura cresce, o crime encontra novas oportunidades. Por isso, as autoridades intensificam a fiscalização e alertam a população sobre os perigos.

O aumento acelerado das apreensões confirma que o contrabando de medicamentos se tornou uma nova frente do crime organizado no Brasil e exige resposta rápida das autoridades e conscientização da população.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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