
Retirados de um lar em Itajaí marcado por anos de violência, fome e negligência parental, cinco irmãos foram para uma instituição de acolhimento na Grande Florianópolis, onde se tornaram vítimas de estupro coletivo, praticado por outros menores abrigados no local.
A rede de proteção já acompanhava o drama da família desde 2016. O histórico revelava um cenário de violações contínuas: as crianças eram encontradas sujas, doentes, obrigadas a mendigar e conviviam com agressões e abusos. A gravidade da situação levou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a solicitar a suspensão do poder familiar, resultando em uma ordem judicial para o acolhimento emergencial dos irmãos em abrigos públicos.
No entanto, a transferência para uma casa de acolhimento, que deveria garantir segurança, expôs os irmãos a novos traumas. Documentos oficiais, incluindo um relatório técnico da própria instituição, descrevem os episódios de violência sexual. O relatório detalha a ocorrência de masturbação coletiva, sexo oral e anal entre os acolhidos, com idades entre 5 e 13 anos.
De acordo com as investigações internas, os abusos ocorriam em momentos de menor vigilância, como durante a entrega de medicação e nas refeições. Os agressores se organizavam para criar distrações, evitar as câmeras de segurança e utilizavam um “sinal secreto” para coordenar as ações.
Após a descoberta dos fatos, o Ministério Público determinou o encaminhamento do caso ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSij). Dessa forma, garantirá acompanhamento psicológico às vítimas. Por fim, diante da gravidade dos relatos, os cinco irmãos passaram por uma nova transferência, agora para uma terceira instituição.

