
Dois dos quatro adolescentes suspeitos de agredirem e provocarem a morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, aproveitam um passeio na Disney durante as investigações. Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, os jovens embarcaram para Orlando, nos Estados Unidos, logo após o caso repercutir nacionalmente. A Polícia Civil realizou buscas nas residências nesta segunda-feira (26).
De acordo com a defesa, as famílias já haviam planejado a viagem antes mesmo das agressões. Os jovens devem retornar ao Brasil apenas na próxima semana, momento em que a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente deve intimá-los para prestar depoimento sobre o espancamento que tirou a vida do animal.
Coação e busca por arma de fogo
A operação policial desta segunda também teve os adultos das famílias como alvos. Além de recolher eletrônicos, os agentes buscavam uma arma de fogo que teria servido para ameaçar o porteiro de um condomínio de luxo. A investigação aponta que o pai de um dos adolescentes utilizou o armamento para coagir o funcionário, tentando impedir que ele entregasse informações ou imagens das câmeras de segurança às autoridades.
Informações indicam que ao menos três adultos enfrentam inquérito pela coação. Enquanto isso, técnicos analisam celulares apreendidos para buscar registros das agressões nos grupos de mensagens dos jovens.
Relembre morte do cão Orelha
Orelha, um cão comunitário que vivia na Praia Brava há dez anos sob os cuidados de pescadores e moradores, morreu no dia 15 de janeiro. O grupo de adolescentes teria agredido o animal a pauladas, causando ferimentos graves. O animal recebeu atendimento veterinário, mas devido à gravidade do caso, os profissionais acabaram optando por sacrificar o cão.
O caso gerou uma grande repercussão nas redes sociais, mobilizando manifestações contra o crime de maus-tratos a animais. Além disso, o governador Jorginho Mello cobrou agilidade máxima para solucionar o crime.
O delegado Ulisses Gabriel, que adotou o cão Caramelo após o mesmo grupo tentar afogá-lo, reforçou que levará todos os envolvidos à Justiça. Por envolver menores de idade, o Ministério Público ouvirá os jovens e aplicará as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

