
A tragédia que se abateu sobre uma família uruguaia nesta semana em Imbituba, no Sul de Santa Catarina, ganhou repercussão nas mídias e reacendeu um alerta nas autoridades. Oscar Katz Furtado, de 57 anos, e sua filha, a estudante de medicina Malu Katz, morreram eletrocutados ao entrar em contato com um fio de energia, enquanto faziam uma trilha a pé em direção à praia dos Amores.
Desde o início do ano, várias mortes foram registradas em Santa Catarina por causa do mesmo problema. Em São Bento do Sul, um adolescente de 13 anos morreu ao encostar em um fio enquanto andava de bicicleta. De acordo com a Celesc, os fios eram de uma rede de telefonia. Em Joinville, um motociclista se enroscou em fios soltos, se desequilibrou e bateu em dois carros. O corpo de bombeiros informou que ninguém ficou ferido. Em Florianópolis, um turista de São Paulo seguia de bicicleta para a Praia da Joaquina, quando também foi atingido por um fio energizado e morreu.
De janeiro até agora, o programa “Limpa Fios”, coordenado pelo PROCON/SC em parceria com a Celesc, Anatel e empresas de comunicação já registrou 68 denúncias de fios soltos nas ruas. Em março, durante o II Congresso Internacional do PROCON/SC, o Governador Jorginho Mello transformou o projeto em um programa de estado permanente. Por enquanto, apenas Tijucas e São Pedro de Alcântara aderiram ao programa.
De acordo com a delegada Michele Alves, diretora do órgão, o projeto só vai ter sucesso com a adesão do maior número de cidades possível: “Cada vez mais a gente percebe que o limpa fios é um programa de segurança pública, vai muito além de apenas limpar as ruas, deixar a cidade com o visual mais bonito. Toda semana vemos pessoas morrendo e isso nós não podemos mais admitir”.
As prefeituras que queiram aderir ao programa devem enviar um ofício com formalização de interesse para o e-mail: [email protected]
Como funciona a Limpa Fio?
O PROCON/SC faz o levantamento dos locais prioritários para limpeza junto às prefeituras e Procons municipais. Esta lista é encaminhada para análise técnica da Celesc, que a valida para execução.
Em seguida, Celesc e Anatel identificam e notificam as operadores que possuem rede nos trechos aprovados para reforma. Com isso, PROCON/SC e prefeitura definem datas e o cronograma da operação.
No dia da operação, há necessidade de presença obrigatória de um técnico da Celesc, representante do Procon municipal (ou prefeitura, se não houver Procon municipal) e as operadoras notificadas. A prefeitura organiza a logística e é responsável pela retirada, transporte e armazenamento dos fios recolhidos para pesagem e envio de relatório ao PROCON/SC.
A força tarefa vai atuar nas 16 subdivisões de Santa Catarina adotada pela Celesc – a primeira região é a Arflo, que abarca: Águas Mornas, Alfredo Wagner, Angelina, Antônio Carlos, Biguaçu, Florianópolis, Governador Celso Ramos, São José, São Pedro de Alcântara, Canelinha, Palhoça, Tijucas, Major Gercino, Nova Trento, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz e São João Batista.

