
A patente da semaglutida, princípio ativo do medicamento Ozempic, expira na quinta-feira (19), no Brasil, e, com isso, libera a entrada de novos concorrentes no mercado, amplia a disputa entre farmacêuticas e impulsiona uma corrida bilionária por versões mais acessíveis da chamada caneta emagrecedora.
Mercado muda de patamar
Até aqui, poucas empresas dominavam o setor. A Novo Nordisk liderava com folga, enquanto a Eli Lilly também avançava com medicamentos da mesma categoria.
Agora, no entanto, o cenário muda. Assim que a patente perde validade, outras farmacêuticas ganham espaço, entram no jogo e aumentam a pressão competitiva.
Com isso, o mercado acelera. Hoje, ele já movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no Brasil. Ainda assim, projeções do setor indicam crescimento rápido. Em outras palavras, esse volume pode dobrar nos próximos anos.
Indústria se antecipa e disputa espaço
Enquanto a data se aproxima, as empresas já se movimentam. Diversos laboratórios, tanto nacionais quanto internacionais, correm para lançar versões da semaglutida.
Além disso, pedidos de registro avançam na Anvisa. Ao mesmo tempo, empresas como EMS, Hypera, Cimed e Biomm se posicionam estrategicamente para entrar nesse mercado.
No entanto, há um detalhe relevante. A maioria dos novos produtos não deve ser classificada como genérico puro. Em vez disso, tende a ser registrada como medicamento similar.
Na prática, isso muda o impacto no bolso. Ou seja, os preços devem cair, mas de forma gradual, não abrupta.
Preço ainda limita acesso
Hoje, o custo segue alto. Em geral, o tratamento mensal varia entre R$ 800 e mais de R$ 1.600. Por isso, grande parte da população ainda não consegue acessar o medicamento.
Por outro lado, com mais concorrência, a tendência é clara. Os preços devem recuar aos poucos. Ainda assim, especialistas alertam que a queda não será imediata.
Isso acontece porque a produção exige tecnologia avançada, envolve processos complexos e depende de insumos limitados. Portanto, mesmo com novos players, o custo de fabricação continua elevado.
Popularidade impulsiona demanda
Ao mesmo tempo, a demanda dispara. Inicialmente indicado para diabetes, o medicamento ganhou notoriedade como aliado na perda de peso.
Com isso, ele deixou de ser apenas um tratamento clínico e virou fenômeno global. Consequentemente, a procura aumentou de forma intensa.
E aqui está o ponto-chave. Quando a demanda cresce e a oferta começa a acompanhar, o mercado se expande. É exatamente esse movimento que se desenha agora.
Disputa também passa pela Justiça
Mesmo assim, a história não termina com o fim da patente. A Novo Nordisk ainda tenta manter a exclusividade por mais tempo.
Para isso, a empresa recorre à Justiça e busca prolongar a proteção sobre o medicamento. Se conseguir, pode atrasar a entrada de concorrentes. Caso contrário, a mudança se consolida já nos próximos meses.
Novo cenário para o consumidor
A partir de agora, o setor entra em uma nova etapa. De um lado, empresas aceleram lançamentos e disputam espaço. Do outro, a marca original tenta preservar mercado.
Enquanto isso, o consumidor observa, compara e espera pagar menos.
No fim das contas, o movimento é claro. A queda da patente não afeta apenas um produto. Ela redesenha todo o mercado, amplia o acesso e inaugura uma nova fase na indústria farmacêutica.

