
O hospital Maicé, de Caçador, cumpriu uma decisão da Justiça e afastou um médico acusado de praticar violência obstétrica e ginecológica contra pacientes do SUS, com ações que teriam provocado dor, traumas e mortes. A direção da unidade fez o comunicado na tarde da última sexta-feira (12).
O afastamento do médico foi requerido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em dezembro do ano passado, diante de uma série de denúncias feitas por dezenas de vítimas. A 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Caçador ajuizou a ação civil depois que o hospital se recusou a acatar a uma recomendação assinada pelas cinco promotoras de Justiça.
“A população de Caçador aguardava ansiosamente pelo cumprimento dessa decisão. Nas últimas semanas, várias mulheres nos procuraram para buscar informações sobre o andamento do caso, na expectativa de poderem ir ao hospital mais tranquilas para receberem um atendimento com qualidade”, disse a promotora de Justiça Silvana do Prado Brouwers.
A direção do hospital também informou que ainda não contratou outro médico obstetra, sob a justificativa da dificuldade de encontrar profissionais à disposição no mês de janeiro.
Mortes, ofensas e maus-tratos
A ação civil descreve casos em que gestantes e bebês morreram no hospital em um contexto de violência obstétrica e traz relatos de mulheres que teriam sido ofendidas e maltratadas pelo médico. O documento já foi encaminhando na íntegra para a 4ª Promotoria de Justiça para a apuração da conduta no âmbito criminal.
Várias vítimas disseram, por exemplo, que o exame de toque do colo do útero foi feito de forma extremamente agressiva, provocando sangramento e dor. Uma delas afirmou que a experiência foi tão traumática que nem pensa em ter outros filhos.
Outra vítima levou exames para marcar a retirada de dois tumores na vagina e recebeu um tratamento hostil. Ela foi mandada embora pelo médico, mas insistiu e acabou sendo chamada de “burra”, “surda” e “gorda”. Posteriormente, foi submetida à cirurgia por outro profissional.

