
Senadores avaliam que o fator eleitoral deve acelerar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e prevê o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional.
Além disso, parlamentares acreditam que a proximidade das eleições de 2026 aumentará a pressão popular sobre deputados e senadores durante a votação da medida.
Na Câmara dos Deputados, a expectativa é que a comissão especial vote a PEC em 26 de maio e, em seguida, envie o texto ao plenário no dia seguinte.
Senado aguarda texto aprovado pela Câmara
Enquanto isso, o Senado já possui uma proposta semelhante apresentada pelo senador Paulo Paim. O texto, inclusive, já avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Apesar disso, líderes da Casa sinalizam que devem priorizar a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.
Governo teme demora na votação
Durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, o ministro Guilherme Boulos demonstrou preocupação com a possibilidade de o Senado atrasar a votação da PEC.
Segundo ele, existe o risco de a proposta avançar na Câmara e, posteriormente, ficar parada no Senado sem previsão de análise.
Além disso, Boulos defendeu a votação rápida do projeto enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trata da redução da jornada de trabalho.
Parlamentares apontam impacto eleitoral
Para o senador Paulo Paim, votar contra a proposta poderá gerar desgaste político em pleno ano eleitoral.
Da mesma forma, a senadora Eliziane Gama afirmou que percebe forte apoio popular à medida e acredita que a PEC terá ambiente favorável no Congresso.
Por outro lado, o senador Plínio Valério afirmou que o tema ganhou força principalmente por causa das eleições.
Segundo ele, em um cenário fora do período eleitoral, a proposta provavelmente enfrentaria mais resistência dentro do Senado.
Senadores discutem compensações para empresas
Ao mesmo tempo, parte dos parlamentares defende medidas para reduzir os impactos econômicos da mudança sobre empresas e empregadores.
O senador Efraim Filho, por exemplo, sugeriu discutir a desoneração da folha de pagamento como forma de compensação ao setor produtivo.
Segundo ele, sem compensações, empresas poderão repassar os custos ao consumidor final.
Além disso, o senador Cleitinho declarou que acredita em ampla aprovação da proposta no Senado por considerar o tema uma demanda popular.
Debate sobre transição divide parlamentares
Enquanto alguns congressistas defendem uma implementação gradual da nova jornada de trabalho, outros rejeitam qualquer período de transição.
Boulos, por exemplo, criticou propostas que preveem adaptação em até cinco anos e afirmou que isso seria uma tentativa de “empurrar o tema com a barriga”.
Já Paulo Paim argumentou que a maioria das empresas brasileiras já adota jornadas próximas ao modelo 5×2 e, por isso, a adaptação seria simples em grande parte dos casos.
PEC deve seguir como tema central no Congresso
Por fim, parlamentares avaliam que o debate sobre o fim da escala 6×1 continuará entre os principais temas econômicos e trabalhistas do Congresso ao longo de 2026.
Além da pressão popular, o tema também deve ganhar espaço nas campanhas eleitorais e nas discussões sobre direitos trabalhistas e geração de empregos.

