
O senador catarinense Esperidião Amin presidiu, nesta quinta-feira (28), uma sessão de debates no Plenário do Senado Federal para discutir os impactos dos desastres naturais e dos fenômenos climáticos extremos, com foco especial na possibilidade de um novo episódio forte do El Niño entre 2026 e 2027.
A sessão reuniu cientistas, especialistas em meteorologia, representantes da Defesa Civil, gestores públicos e parlamentares para debater medidas de prevenção, preparação e resposta diante do aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos no Brasil.
Na abertura dos trabalhos, Amin destacou que o objetivo central da sessão foi reunir propostas concretas e ações práticas que possam auxiliar estados e municípios na redução de danos provocados por enchentes, secas, deslizamentos e incêndios florestais.
“Nosso foco é colecionar diretrizes, ações e planos que estão sendo elaborados ou implementados para prevenir e reduzir os danos de um possível fenômeno El Niño que se anuncia”, afirmou o senador.
Fenômenos climáticos
O pesquisador Carlos Nobre alertou para a alta probabilidade de formação de um El Niño forte ou muito forte ainda neste ano, associado ao avanço do aquecimento global. Segundo ele, eventos extremos tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos.
A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, reforçou a necessidade de monitoramento permanente e de articulação entre governos e instituições científicas para subsidiar ações preventivas e emergenciais.

Durante a sessão, foram apresentadas medidas já adotadas pelo Governo de Santa Catarina, como a criação do Comitê de Gestão de Crise, o reforço do monitoramento meteorológico e hidrológico, atualização dos planos de contingência municipais e o pré-posicionamento de equipamentos e ajuda humanitária.
O secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, Fabiano de Souza, destacou que o estado atua de forma preventiva e permanente. “Planejamento urbano e ocupação desordenada são tragédias futuras anunciadas”, afirmou.
O senador Hamilton Mourão defendeu a criação de um fundo nacional de resiliência climática, a realização de simulações anuais de contingência nos municípios e novos padrões de infraestrutura adaptados às mudanças climáticas.
Já o senador Hermes Klann ressaltou que “o problema não é mais a falta de previsão, mas sim a falta de prevenção”, enquanto o deputado federal Carlos Chiodini defendeu políticas públicas permanentes voltadas à prevenção e não apenas à reconstrução após tragédias.
A sessão também abordou a importância da cooperação internacional e da preparação da sociedade civil para situações de emergência. O jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira citou experiências do Japão em treinamentos comunitários e simulados para desastres naturais.
Ao encerrar os trabalhos, Amin afirmou que a sessão cumpriu seu propósito ao reunir experiências, propostas e recomendações práticas para orientar gestores públicos e a sociedade.
“Esse gerenciamento regional e macrorregional é muito importante. Precisamos transformar essas contribuições em recomendações objetivas para os municípios, estados e organizações civis”, concluiu o senador.

