
Dez anos depois da tragédia que marcou para sempre a história da Chapecoense e do futebol mundial, o clube catarinense voltou à Colômbia para reencontrar parte de uma história construída entre dor, memória e solidariedade. Nesta sexta-feira (25), a delegação visitou o local onde caiu o avião que levava o time para a final da Copa Sul-Americana de 2016. No sábado (26), em Medellín, Chapecoense e Atlético Nacional se enfrentaram no chamado “Jogo da Amizade Eterna”.
A viagem reuniu jogadores, integrantes da comissão técnica, dirigentes e convidados. Além disso, contou com a presença de sobreviventes da tragédia, como o ex-zagueiro Neto. A programação marcou o início das celebrações pelos dez anos do acidente, que serão completados em novembro.
Retorno ao local onde tudo mudou
Na sexta-feira, a delegação da Chapecoense seguiu para La Unión, na região de Antioquia, onde o avião da LaMia caiu na noite de 28 de novembro de 2016.
O local, conhecido anteriormente como Cerro Gordo, passou a ser chamado de Cerro Chapecoense. Ali, os destroços da aeronave foram encontrados após o acidente que matou 71 das 77 pessoas que estavam a bordo. Apenas seis sobreviveram.
Diante do cenário que ainda carrega marcas daquela noite, os representantes do clube participaram de momentos de oração, silêncio e homenagem. O ato também marcou a inauguração de um primeiro memorial dedicado às vítimas, além do lançamento da pedra fundamental do Memorial La Unión-Chapecó.
No espaço de memória, uma homenagem reúne imagens das vítimas e a inscrição “Campeões do céu”. A cerimônia também contou com o hasteamento das bandeiras do Brasil, da Chapecoense e de La Unión.
Para Neto, que sobreviveu à queda e retornou ao local pela terceira vez, a visita teve um significado particular. O ex-jogador participou das homenagens ao lado da atual delegação e voltou a um cenário que faz parte da história pessoal e do clube.
Dez anos depois, a amizade permanece
A programação também passou por Medellín, cidade que recebeu a delegação da Chapecoense em 2016 para a disputa da decisão continental contra o Atlético Nacional.
Na época, o clube colombiano abriu mão de disputar a final e pediu que a Chapecoense recebesse o título da Copa Sul-Americana. A atitude deu origem a uma relação que ultrapassou o futebol e aproximou as duas instituições.
Na sexta-feira, o Atlético Nacional voltou a homenagear a Chapecoense durante o evento “Leyendas”. O clube colombiano apresentou um vídeo especial e inaugurou um espaço que simboliza a amizade construída entre as duas equipes ao longo da última década.
Um dia depois, o reencontro ganhou o campo do Estádio Atanasio Girardot, justamente o palco que receberia a primeira partida da final da Sul-Americana de 2016.
“Jogo da Amizade Eterna” termina empatado
Chapecoense e Atlético Nacional empataram em 1 a 1 no amistoso de sábado (26). Entretanto, o placar ficou em segundo plano diante das homenagens às vítimas.
Antes da partida, a Chapecoense recebeu 71 flores brancas, uma para cada pessoa que morreu no acidente. Depois, aos 10 minutos do primeiro tempo, jogadores e torcedores interromperam a partida para uma salva de aplausos em referência aos dez anos da tragédia.
A Chapecoense ainda entrou em campo com um uniforme especial que traz a mensagem “Pra sempre lembrados”. Além disso, Neto participou da cerimônia e entregou braçadeiras de capitão a oito moradores da região que ajudaram no atendimento e no resgate após a queda da aeronave.
Com a bola rolando, Yago Felipe abriu o placar para a Chapecoense aos 21 minutos, em cobrança de falta. Logo depois, Benítez deixou tudo igual para o Atlético Nacional. As equipes não voltaram a marcar e encerraram o amistoso em 1 a 1.
Mais do que um reencontro esportivo, a passagem da Chapecoense pela Colômbia abriu oficialmente uma série de homenagens que antecedem os dez anos da tragédia. Assim, entre o local do acidente, os memoriais e o estádio de Medellín, o clube voltou a percorrer os lugares que transformaram sua história.
Desta vez, porém, o retorno não aconteceu apenas para lembrar a tragédia. A presença da Chapecoense também reafirmou os laços construídos com moradores de La Unión e com o Atlético Nacional, mantendo viva, portanto, a memória das 71 pessoas que nunca voltaram para casa.

