Região Joinville / Jaraguá do Sul

Criado em SC, projeto Meros do Brasil protege espécie em extinção

Iniciativa chegou a mais de 800 mil pessoas entre 2021 e 2023

Autor
Criado em SC, projeto Meros do Brasil protege espécie em extinção
Foto: divulgação

Uma iniciativa socioambiental de conservação criada em Santa Catarina e que tem como principal objetivo a proteção dos ambientes costeiros e marinhos associados à espécie Mero, tão ameaçada de extinção, está presente em nove estados brasileiros, entre eles São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense. O Projeto Meros do Brasil surgiu em 2002, a partir de mergulhadores e pescadores que começaram a observar o desaparecimento dos meros em pontos onde antes eram avistados.

As ações do projeto vão desde pesquisas científicas para revelar o comportamento da espécie até iniciativas de educação ambiental e arte para diversos públicos, entre eles pescadores, jovens e professores. O objetivo é promover relações responsáveis e sustentáveis entre sociedade e meio ambiente.

O ciclo de vida dos meros depende das áreas manguezais. Em São Francisco do Sul está situada a maior agregação reprodutiva monitorada. “Lá monitoramos há mais de 10 anos e tentamos entender o padrão de comportamento deles: onde eles estão, para onde migram, em que épocas aparecem”, afirma Maíra Borgonha, coordenadora geral do Projeto Meros do Brasil.

Para além disso, em Santa Catarina há pesquisa acompanhada das ações de educação ambiental para sensibilização e conscientização não só da geração atual, mas das gerações futuras. “É para eles que iremos deixar esse legado de conservação e preservação”, conclui Maíra.

Maíra Borgonha, coordenadora geral do Projeto Meros do Brasil. Foto: divulgação

Um estudo mostra que a cada um real investido no Projeto Meros do Brasil são gerados R$ 8,44 em benefícios socioambientais. No total, são R$ 48,8 milhões, sendo que 82% deste benefício estão concentrados nos meios físico e biótico, mais especificamente nos Meros e no ecossistema associado.

“E a gente não está só conservando o mero, estamos protegendo uma espécie que é um dos elementos do equilíbrio do ecossistema marinho e do oceano, que é o principal regulador da vida no planeta. Estamos protegendo um desses elos que permitem que nossa vida aconteça”, ressalta Maíra Borgonha, coordenadora geral do projeto Meros do Brasil.

 “O impacto socioambiental gerado é mais de oito vezes maior que o valor investido, demonstrando a grande contribuição do Projeto na vida dessas pessoas e da população de Meros e os ecossistemas que a espécie habita”, ressalta Maíra.

Patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto tem participação também na construção de políticas públicas em defesa dos meros, espécie pouco popular e até temida, por ser um peixe de grandes dimensões – pode chegar a 400 kg. No entanto, esse gigante dos mares, que está no topo da cadeia alimentar junto aos tubarões, não representa perigo aos seres humanos e é de suma importância para o equilíbrio ambiental.

Educação ambiental, engajamento social e arte

O Projeto Meros do Brasil inova quando alia educação ambiental, engajamento social e arte, que  buscam trazer para a sociedade brasileira mais familiaridade com a espécie, que tem pesca proibida no Brasil, mas ainda é alvo de captura ilegal.

Foto: divulgação

Análise de Impacto Social

A  Análise de Impacto Social do Meros é um estudo extenso e aprofundado que permite compreender a complexidade do trabalho do projeto Meros do Brasil. Compreende ações entre 2018 e 2020 e foi publicado em 2023.

Outro número que demonstra a força do projeto Meros do Brasil é o de pessoas impactadas positivamente pelas ações do Projeto: entre 2021 e 2023, 34.142 pessoas participaram diretamente; 766.122 foram beneficiadas pontualmente pelo projeto;  e 3.198 participaram em ações de formação. O mesmo levantamento indica que 30 espécies e/ou ecossistemas foram protegidos com as ações do projeto; 256 meros foram monitorados e devolvidos ao mar; ação de combate ao lixo no mar foi realizada numa extensão 10.253 metros de praias rios e manguezais e volume de lixo removido foi 5,2 toneladas.

Róbinson Gambôa

Sobre o autor

Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

Ver todas as matérias de Róbinson Gambôa