
As temperaturas do Oceano Pacífico voltaram a subir de forma consistente e os meteorologistas já acendem o alerta para a consolidação do fenômeno El Niño nas próximas semanas. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), o aquecimento das águas na principal região monitorada permaneceu acima de +0,5°C pela segunda semana consecutiva.
Segundo a Meteored, as anomalias na região conhecida como Niño 3.4 atingiram a marca de +0,5°C nas semanas de 13 e 20 de maio. Embora os índices atuais ainda fiquem abaixo dos grandes recordes históricos, o comportamento do oceano neste momento repete exatamente os estágios iniciais de eventos severos do passado.
Entenda o El Niño
Além do aquecimento natural das águas, os especialistas indicam que outro fator vai acelerar a formação do El Niño: a Oscilação Madden-Julian (MJO). Esse sistema, que se desloca de oeste para leste ao redor da linha do Equador a cada 30 ou 60 dias, modifica temporariamente os padrões de chuva e circulação de vento no planeta.
Conforme o último boletim da NOAA, a MJO avançou do Oceano em direção ao Pacífico e ganhou força ao interagir com uma onda de calor. Como resultado, as projeções meteorológicas indicam que o sistema continuará se fortalecendo e avançará de forma expressiva nos próximos 14 dias.
Mecanismo que acelera o aquecimento
- Enfraquecimento dos ventos alísios: A atuação da MJO reduz a força dos ventos que normalmente sopram de leste para oeste.
- Surgimento de rajadas de oeste: Esse cenário favorece ventos que empurram as águas quentes do Pacífico Oeste para o centro e o leste do oceano.
- Subida de águas profundas: Consequentemente, a água quente armazenada nas profundezas oceânicas emerge, intensificando o calor na superfície.
Impacto direto no clima do Brasil
Centros meteorológicos internacionais acompanham o avanço desse cenário com extrema atenção, visto que o El Niño altera drasticamente o regime de chuvas e temperaturas em escala global.
No Brasil, os reflexos costumam ser imediatos e severos. Enquanto as regiões Norte e Nordeste tendem a enfrentar estiagens prolongadas, os estados do Sul passam a correr contra o tempo. O aumento expressivo no volume de chuvas na Região Sul eleva significativamente o risco de enchentes, cheias de rios e deslizamentos de terra.

