
A marca de fast fashion Renner anunciou nesta sexta-feira (13) o recolhimento das camisetas com a estampa “Regret nothing” de suas lojas físicas e virtuais. A peça ganhou repercussão nacional negativa após ser usada por Vitor Hugo Simonin, de 19 anos, ao se entregar à polícia no Rio de Janeiro. O jovem é réu pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos ocorrido em Copacabana, na zona Sul da capital fluminense.
A expressão em inglês estampada na roupa significa “Não se arrependa de nada”. A escolha da vestimenta pelo investigado, ao comparecer à delegacia, foi interpretada nas redes sociais como uma forte provocação ao processo criminal. Em nota oficial, a Renner declarou que “repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva” e confirmou a remoção do produto de seus canais.
O crime é apontado como um dos casos mais comentados recentemente no Brasil. Diante da polêmica envolvendo a imagem do suspeito, internautas chegaram a associar o design da camiseta a grupos misóginos de ultramasculinidade na internet como o “RedPill”. O movimento masculinista utiliza a metáfora de Matrix para afirmar que a sociedade é “ginocêntrica” (centrada nas mulheres) e que os homens são vítimas de um complô biológico e social. Especialistas e pesquisadores classificam o movimento como um ecossistema de radicalização misógina. Ele ensina a enxergar mulheres como inimigas, superficiais ou interesseiras, tratando relacionamentos interpessoais como disputas de poder. A empresa, no entanto, negou qualquer relação da arte com essas ideologias e comunidades.
Posicionamento e falhas no site
“Toda a base conceitual e estética foi pautada em manifestações culturais contemporâneas, como poesias e composições musicais”, justificou a varejista no comunicado. A companhia reiterou que providenciou a retirada imediata do item de circulação para desvincular sua imagem do ocorrido e evitar maiores constrangimentos.
Apesar do anúncio de exclusão total do e-commerce, usuários notaram que a fotografia da blusa ainda é veiculada no site da marca. A peça polêmica continua aparecendo na plataforma digital compondo o visual de modelos em anúncios que promovem a venda de outros itens de vestuário, como calças e bermudas.

