
Especialistas apontam que o fenômeno climático El Niño pode influenciar diretamente o preço dos alimentos no Brasil em 2026. Embora os efeitos ainda não apareçam de forma imediata, os primeiros sinais da transição já começam a se formar.
De acordo com um relatório da National Oceanic and Atmospheric Administration, já existem condições de El Niño costeiro no Oceano Pacífico. Esse fenômeno já provoca chuvas intensas no Peru e no Equador. Como resultado, a precipitação acima da média se torna um dos impactos mais comuns desse tipo de evento na América do Sul.
Além disso, as projeções indicam que, até maio, o Oceano Pacífico Equatorial deve registrar um aquecimento mais significativo das águas. Com isso, o fenômeno tende a se consolidar nos meses seguintes, quando seus efeitos poderão se intensificar em várias regiões do país.
Mudanças climáticas podem afetar a produção agrícola
Segundo o economista João Victor da Silva, o El Niño influencia diretamente a produtividade da agricultura brasileira. Atualmente, o setor responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Por isso, mudanças no clima podem gerar impactos relevantes tanto na economia quanto na produção agrícola.
Além disso, o meteorologista Piter Scheuer alerta que o fenômeno pode provocar excesso de chuvas, principalmente na segunda metade do ano. Esse cenário, por sua vez, tende a prejudicar lavouras e gerar prejuízos aos produtores durante o período de colheita.
No Sul do Brasil, o especialista também destaca a possibilidade de granizo, vendavais e até eventos tornádicos. Embora esses fenômenos ocorram com mais frequência no Oeste da região, o excesso de chuva pode provocar enchentes em outras áreas.
“Essa condição pode influenciar bastante na economia”, afirma o meteorologista.
Redução da oferta pode pressionar preços
Quando eventos climáticos extremos reduzem a produção agrícola, a oferta de alimentos diminui. Ao mesmo tempo, a demanda permanece estável. Como consequência, os preços tendem a subir.
O economista lembra que, em 2024, o El Niño contribuiu para cerca de 2,25 pontos percentuais da inflação de 8,2% registrada nos alimentos no país.
Já a economista Laura Pacheco explica que fenômenos climáticos desse tipo podem provocar variações nas safras de frutas como maçã, amora e mirtilo.
Trigo pode ser um dos produtos mais afetados
Apesar disso, Laura destaca que um inverno mais quente pode impactar especialmente a produção de trigo.
“Se a temperatura afetar a produção de trigo, por exemplo, o consumidor pode sentir mais no dia a dia. Algumas frutas e grãos podem sofrer impactos pontuais, mas o trigo gera uma preocupação maior”, afirma.
Por fim, especialistas ressaltam que ainda é difícil medir com precisão o impacto econômico do próximo episódio de El Niño, já que o fenômeno ainda está em formação. Mesmo assim, a tendência aponta para desaceleração econômica e possível aumento nos preços dos alimentos, embora o efeito sobre a política monetária do país deva ser limitado.

