
O mercado de combustíveis entrou em alerta nesta segunda-feira (09), porque a diferença entre o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras e o valor internacional voltou a aumentar. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostra que a defasagem já se aproxima de 19%, cenário que pressiona o mercado e reacende o debate sobre possíveis reajustes no Brasil.
Diferença de preços volta a crescer
O levantamento da Abicom mostra que os preços da gasolina nas refinarias continuam abaixo da chamada paridade internacional. Esse cálculo considera o preço do petróleo no exterior, o custo de importação e a variação do dólar.
Atualmente, a gasolina vendida pela Petrobras está cerca de 19% mais barata do que o valor praticado no mercado internacional. Em outras palavras, se a estatal seguisse a paridade global, o preço nas refinarias precisaria subir cerca de R$ 0,47 por litro.
Esse cenário define a chamada defasagem. O termo descreve justamente a situação em que o preço interno não acompanha o mercado internacional. Assim, quando o petróleo sobe lá fora e o valor não muda aqui dentro, a diferença aumenta.
Alta do petróleo amplia pressão
Ao mesmo tempo, o preço do petróleo voltou a subir no mercado internacional nas últimas semanas. Como consequência, o custo global da gasolina também aumentou.
Com isso, a diferença entre os preços internacionais e os valores praticados no Brasil cresceu ainda mais. Em alguns cálculos do mercado, a gasolina chega a apresentar diferença superior a R$ 1 por litro quando comparada aos preços internacionais.
Diante desse cenário, analistas do setor passaram a pressionar por ajustes. Ainda assim, a Petrobras mantém a estratégia de evitar repasses automáticos das oscilações internacionais para o consumidor brasileiro.
Segundo a empresa, a política atual acompanha o mercado de forma contínua, mas também considera estabilidade e previsibilidade nos preços.
Importadores veem risco no abastecimento
Enquanto isso, importadores de combustíveis demonstram preocupação com a defasagem prolongada. Isso acontece porque empresas privadas compram gasolina no exterior e revendem no Brasil.
Quando o preço interno fica muito abaixo do valor internacional, importar combustível deixa de ser competitivo. Como resultado, algumas empresas podem reduzir as operações.
Esse movimento preocupa o setor. Atualmente, o Brasil ainda depende da importação de parte dos combustíveis, principalmente em regiões mais distantes das refinarias.
Por isso, especialistas alertam que uma defasagem prolongada pode reduzir a oferta de produtos no mercado e gerar instabilidade no abastecimento.
Mercado acompanha próximos passos
Por enquanto, a Petrobras não anunciou reajustes para a gasolina. Mesmo assim, o mercado acompanha o cenário com atenção.
Se o petróleo continuar subindo no exterior e o dólar permanecer pressionado, a diferença de preços pode aumentar ainda mais. Nesse caso, cresce a expectativa de ajustes nos próximos meses.
Enquanto isso, o consumidor continua observando o preço nas bombas. Afinal, mesmo quando as refinarias mantêm valores estáveis, fatores como impostos, logística e margens de distribuição ainda influenciam o preço final.
No fim das contas, a dinâmica do combustível segue a lógica do mercado global. Quando o petróleo sobe lá fora e o preço interno não acompanha, a pressão por reajuste inevitavelmente aparece.

