
A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de R$ 376,4 milhões em ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a investigados por irregularidades na gestão do Banco Master. A decisão visa garantir o ressarcimento de um prejuízo estimado em R$ 5 bilhões causado pela aquisição de carteiras podres e suspeitas de fraude.
Esquema de “laranjas” no capital do BRB
Investigações da Operação Compliance Zero revelam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e investidores como Nelson Tanure, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, tornaram-se sócios do BRB de forma oculta. O grupo utilizou “laranjas” e fundos de investimento para assumir o controle de cerca de 25% do capital da instituição pública do DF.
Os alvos do bloqueio judicial incluem:
- Fundos de Investimento: Deneb, Borneo, Siracusa, Delta e Asterope;
- Empresas: Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.
Crise bilionária e veto do Banco Central
O bloqueio ocorre após o Banco Central (BC) rejeitar, em setembro de 2025, a tentativa do BRB de comprar o Banco Master. A autoridade monetária barrou o negócio devido ao alto risco e à qualidade questionável dos ativos. Portanto, no total, o BRB adquiriu mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Master sob suspeita de fraude, o que comprometeu a liquidez.
Desdobramentos da operação
A Polícia Federal deflagrou a operação em novembro de 2025, resultando no afastamento e posterior demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Atualmente, o banco conduz uma auditoria interna com o escritório Machado Meyer e a consultoria Kroll para detalhar o rombo financeiro, que será oficializado no balanço de março.

