
A Agência Nacional de Aviação Civil notificou nesta terça-feira (17) a escola de samba Portela e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro após a apresentação de um drone que transportou uma pessoa durante o desfile na Marquês de Sapucaí, na madrugada de segunda-feira (16). A agência quer saber quem autorizou a operação e por que a escola utilizou um equipamento que a legislação proíbe para esse tipo de finalidade.
Uso de drone com pessoa acende alerta
Durante a comissão de frente, um integrante sobrevoou parte da avenida suspenso por um drone de grande porte. A cena chamou atenção do público e ganhou repercussão imediata. No entanto, além do impacto visual, o voo levantou questionamentos técnicos.
A legislação brasileira proíbe o transporte de pessoas em aeronaves remotamente pilotadas. Além disso, as normas exigem distância mínima de 30 metros de terceiros não anuentes e proíbem operações que coloquem vidas em risco. Portanto, ao identificar a irregularidade, a ANAC abriu procedimento para apurar os fatos.
O que a ANAC exige
A agência determinou que a Portela apresente, em até dez dias, informações detalhadas sobre o equipamento. Entre os dados solicitados estão modelo do drone, número de série, registro junto à ANAC e identificação do piloto remoto responsável pela operação.
Além disso, a agência reforçou que drones civis não são projetados para transportar pessoas. Segundo a autoridade, esse tipo de adaptação pode provocar falhas estruturais e acidentes graves. Por isso, a fiscalização atua de forma preventiva, especialmente em eventos com grande concentração de público.
Até o momento, a Portela não divulgou posicionamento oficial sobre a notificação.
Segurança acima do espetáculo
Embora o Carnaval seja marcado por inovação e criatividade, a legislação de segurança aérea não abre exceções para eventos culturais. Pelo contrário, quanto maior o público, maior deve ser o rigor técnico.
A notificação da ANAC sinaliza que o órgão vai acompanhar de perto o uso de tecnologias aéreas em grandes eventos. Afinal, o espetáculo pode emocionar, mas a segurança precisa liderar a avenida.

