Região Santa Catarina

João Rodrigues promete atacar fila da saúde e construir 60 mil moradias em SC

Em entrevista exclusiva à Rede Guararema, candidato do PSD apresentou propostas para saúde, infraestrutura, habitação, educação, segurança e prevenção a desastres

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João Rodrigues promete atacar fila da saúde e construir 60 mil moradias em SC

O candidato ao Governo de Santa Catarina João Rodrigues (PSD) afirmou, nesta segunda-feira (21), durante entrevista exclusiva ao programa Microfone Aberto, da Rede Guararema de Rádios, que pretende concentrar as primeiras ações de um eventual governo em três áreas: saúde, infraestrutura e habitação popular. Além disso, ele apresentou propostas para educação, segurança das mulheres, prevenção a desastres naturais e atendimento a migrantes e imigrantes.

Natural de São Valentim, no Rio Grande do Sul, Rodrigues começou a trajetória profissional ainda jovem. Primeiro, passou pela Marinha e pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Depois, entrou para a comunicação, onde atuou como radialista e apresentador de televisão. Na política, foi vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, deputado estadual, deputado federal, secretário estadual da Agricultura e prefeito de Chapecó. Em 2026, deixou o comando da prefeitura para disputar o Governo de Santa Catarina.

Logo no início da entrevista, Rodrigues afirmou que decidiu entrar na corrida pelo governo porque acredita que a experiência acumulada ao longo da vida pública o credencia para administrar Santa Catarina.

Segundo o candidato, o poder público precisa agir com foco direto nas necessidades da população. Por isso, ele colocou a saúde no topo da lista de prioridades.

Como Rodrigues pretende reduzir a fila da saúde?

Rodrigues afirmou que pretende usar recursos disponíveis no caixa estadual para acelerar cirurgias e procedimentos represados.

De acordo com o candidato, uma das primeiras medidas seria retirar R$ 1,6 bilhão das reservas do Estado e usar o dinheiro para contratar serviços da rede privada. Ao mesmo tempo, hospitais públicos também ampliariam a realização de procedimentos.

Rodrigues citou uma fila de 116 mil pessoas aguardando cirurgias e defendeu que o Estado reduza significativamente o tempo de espera.

“Eu quero criar um cronograma de atendimento para que a pessoa fique, no máximo, 60 dias na fila de espera”, afirmou.

Além disso, o candidato pretende implantar o chamado “Corujão”. Com a proposta, hospitais públicos também realizariam procedimentos entre 19h e 7h.

Segundo Rodrigues, as unidades priorizariam, nesse período, cirurgias que não exigem internação. Já os casos mais complexos utilizariam toda a rede hospitalar disponível no Estado.

O que muda na infraestrutura?

Depois da saúde, Rodrigues apontou a infraestrutura como outra prioridade de um eventual governo.

Nesse caso, o candidato defendeu uma retomada do diálogo entre Santa Catarina e o governo federal. Na avaliação dele, o Estado precisa reconstruir essa relação para acelerar obras em rodovias federais estratégicas, entre elas as BRs 282, 470, 280 e 101.

Para isso, Rodrigues apresentou uma proposta de parceria financeira.

Segundo ele, o Governo de Santa Catarina poderia investir R$ 1 bilhão por ano em obras federais e, posteriormente, negociar a compensação desse valor na dívida que o Estado mantém com a União. Em contrapartida, o governo federal também colocaria recursos nos projetos.

Além disso, Rodrigues afirmou que pretende concluir obras paralisadas em rodovias estaduais e dar continuidade aos projetos que já estiverem em andamento.

Como funcionaria o programa de 60 mil moradias?

Na sequência, João Rodrigues apresentou a habitação popular como a terceira grande prioridade.

O candidato prometeu lançar um programa para viabilizar 60 mil unidades habitacionais em Santa Catarina.

Pela proposta, o Estado pagaria R$ 40 mil de entrada para trabalhadores que se enquadrarem nos critérios do programa. Depois, as famílias assumiriam as prestações do imóvel.

Segundo Rodrigues, as parcelas poderiam ficar em torno de R$ 1,2 mil mensais.

“Nós vamos dar de graça, nós não vamos cobrar”, afirmou o candidato ao explicar a proposta de subsídio da entrada.

Além de ampliar o acesso à casa própria, Rodrigues argumentou que o programa movimentaria a construção civil, criaria empregos e aumentaria a arrecadação estadual.

Por isso, ele considera a habitação não apenas uma política social, mas também uma ferramenta de estímulo à economia.

Quais propostas Rodrigues apresentou contra enchentes?

O candidato também criticou a condução das políticas de prevenção a desastres naturais em Santa Catarina.

Durante a entrevista, ele citou regiões como Blumenau, Jaraguá do Sul, Rio do Sul e Brusque, que enfrentam enchentes e outros eventos climáticos com frequência.

Segundo Rodrigues, o Estado precisa deixar de atuar apenas depois dos desastres e passar a investir de forma permanente em prevenção.

Entre as propostas, ele prometeu retomar ou acelerar obras estruturais, como a barragem de Botuverá, além de projetos voltados à redução dos impactos das cheias no Vale do Itajaí e no Alto Vale.

Rodrigues também citou a experiência adotada em Chapecó com equipamentos antigranizo e defendeu que o Governo do Estado busque novas tecnologias para enfrentar eventos climáticos extremos.

Na avaliação do candidato, enchentes e outros fenômenos já fazem parte da realidade catarinense e, por isso, exigem planejamento antecipado.

Universidade Gratuita será mantida?

Na educação, Rodrigues afirmou que pretende manter o programa Universidade Gratuita. No entanto, ele quer alterar as regras.

Segundo o candidato, o Estado deve priorizar estudantes de baixa renda.

Além de custear os estudos, Rodrigues propõe criar uma bolsa financeira para ajudar alunos carentes a pagar despesas com alimentação, transporte, moradia e outras necessidades básicas.

Ao mesmo tempo, o candidato defendeu uma revisão dos benefícios concedidos a estudantes que possuem condições de pagar parte da mensalidade.

Nesses casos, Rodrigues avalia que o Estado poderia conceder bolsas proporcionais ou oferecer mecanismos de financiamento.

Outra mudança envolve a forma de concessão do benefício. Atualmente, segundo Rodrigues, o programa concentra recursos nas instituições.

Ele defende que o dinheiro acompanhe diretamente o estudante.

“O foco é quem? É a faculdade ou é o aluno?”, questionou.

Com isso, o candidato pretende permitir que o estudante utilize o benefício na instituição que escolher, desde que cumpra os critérios definidos pelo Estado.

Ensino médio terá foco em qualificação profissional

Além das mudanças no ensino superior, Rodrigues afirmou que pretende aumentar os investimentos no ensino médio.

Segundo ele, a grade curricular deve incorporar formação profissionalizante e preparar os estudantes para setores com alta demanda no mercado.

Nesse sentido, o candidato destacou principalmente a inteligência artificial e outras áreas ligadas à tecnologia.

Rodrigues também prometeu aproximar o Governo do Estado da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Segundo ele, a universidade poderá desempenhar papel estratégico na discussão sobre inovação, tecnologia e formação profissional.

Como o candidato pretende proteger as mulheres?

Outro tema da entrevista foi a violência contra a mulher.

Rodrigues defendeu ampliar o monitoramento de homens submetidos a medidas protetivas.

Segundo o candidato, o Governo do Estado deverá buscar acordos com o Ministério Público e o Poder Judiciário para aumentar o uso de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica.

Dessa forma, as autoridades poderiam fiscalizar a distância entre o agressor e a vítima e agir com mais rapidez diante de uma tentativa de aproximação.

Além disso, Rodrigues quer fortalecer as casas de acolhimento destinadas a mulheres ameaçadas.

Esses espaços receberiam vítimas que precisam sair temporariamente de casa para escapar do agressor.

O candidato também defendeu acompanhamento psicológico para homens envolvidos em casos de violência doméstica, desde que haja encaminhamento das autoridades responsáveis.

Segundo Rodrigues, Chapecó já adotou iniciativas semelhantes, e ele pretende ampliar essas experiências para todo o Estado.

Qual será a política para migrantes e imigrantes?

Na reta final da entrevista, Rodrigues falou sobre o crescimento da população migrante e imigrante em Santa Catarina.

O candidato afirmou que pretende ampliar políticas de inserção no mercado de trabalho, habitação e acesso aos serviços públicos.

Segundo ele, Santa Catarina enfrenta falta de mão de obra em diferentes setores e, nesse cenário, trabalhadores vindos de outros estados e países ocupam papel importante na economia.

Rodrigues também defendeu ampliar o acesso dessas famílias à saúde, creches e escolas.

Entretanto, o candidato também apresentou uma proposta voltada a estrangeiros que cometem crimes no Brasil.

Ele defendeu uma articulação entre o Governo do Estado, o governo federal e o Itamaraty para acelerar, dentro das regras legais, procedimentos envolvendo estrangeiros condenados por crimes.

Rodrigues usa gestão de Chapecó como vitrine

Nas considerações finais, João Rodrigues voltou a apresentar a experiência como prefeito de Chapecó como principal argumento para pedir o voto dos catarinenses.

O candidato criticou a atual administração estadual e afirmou que pretende imprimir outra dinâmica na relação do governo com a população, prefeitos e instituições.

Além disso, voltou a destacar a saúde, a habitação e a infraestrutura como áreas que precisam de respostas mais rápidas.

Rodrigues também citou ações realizadas durante seus mandatos em Chapecó e afirmou que pretende levar esse modelo de gestão para Santa Catarina.

“A maior obra mesmo é cuidar do povo”, declarou.

Por fim, o candidato pediu aos eleitores a oportunidade de disputar o segundo turno.

“Nos dê um segundo turno. Segundo turno, a gente vai para o debate”, afirmou.

A entrevista integra a série promovida pela Rede Guararema de Rádios com candidatos ao Governo de Santa Catarina e ao Senado nas eleições de 2026.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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