
Os candidatos à Presidência da República apresentam propostas diferentes para o salário mínimo e a Previdência Social nas Eleições 2026. Enquanto alguns defendem manter a política atual de reajuste com ganho real, outros propõem mudanças na vinculação dos benefícios ao piso nacional ou uma nova reforma previdenciária. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os planos de governo registrados pelas candidaturas.
Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621. A regra federal mantém a correção pela inflação e prevê ganho real com base no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, limitado pela regra fiscal a uma faixa que pode chegar a 2,5%.
Além disso, o tema ganhou espaço na campanha porque o salário mínimo influencia despesas públicas e benefícios previdenciários. Para 2027, o governo federal estima o piso em R$ 1.741 no projeto de Orçamento enviado ao Congresso.
Lula (PT)
O presidente e candidato à reeleição propõe manter a política de valorização do salário mínimo, com aumento real para trabalhadores, aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Além disso, Lula propõe ampliar as fontes de financiamento da Previdência e regulamentar a contribuição previdenciária de trabalhadores que atuam por aplicativos.
O plano também prevê ampliar o acesso à Previdência. Por outro lado, o documento registrado no TSE não apresenta uma mudança específica na fórmula de cálculo do salário mínimo ou dos benefícios previdenciários.
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro propõe digitalizar os processos do INSS e profissionalizar a gestão do órgão. O candidato também defende medidas de combate a fraudes e mudanças na gestão dos fundos de pensão das estatais.
Além disso, o plano prevê uma revisão de normas infralegais, dentro de uma proposta mais ampla de redução de despesas e reorganização da administração pública.
O documento não esclarece uma mudança na vinculação dos benefícios ao salário mínimo. Em entrevista à Globo, o candidato afirmou que não pretende fazer economia sobre aposentados, mas não informou se manteria a regra de vinculação.
Augusto Cury (Avante)
O plano de governo de Augusto Cury não detalha uma nova regra para o salário mínimo ou para os benefícios previdenciários.
Em entrevista à Globo, contudo, o candidato afirmou que pretende corrigir o salário mínimo pela inflação mais 1% ao ano. Segundo ele, a medida poderia levar a uma valorização acumulada entre 50% e 60% ao longo de um mandato de quatro anos.
Ronaldo Caiado (PSD)
Ronaldo Caiado afirma que pretende manter a atual política de reajuste do salário mínimo.
Em entrevista à Globo, o candidato também foi questionado sobre uma possível elevação da idade mínima para aposentadoria, mas não apresentou uma resposta definida sobre o tema. O plano de governo não detalha uma alteração na fórmula de reajuste dos benefícios.
Renan Santos (Missão)
Renan Santos propõe uma nova reforma da Previdência e mudanças na forma de financiamento das aposentadorias.
Entre as medidas apresentadas estão a desvinculação de benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo e a criação de mecanismos de capitalização para a aposentadoria. O plano também prevê mudanças na idade mínima conforme a expectativa de vida.
Romeu Zema (Novo)
Romeu Zema defende uma reforma da Previdência que envolva também regimes de estados, municípios, trabalhadores rurais e militares.
O candidato propõe ainda um mecanismo para relacionar a idade mínima de aposentadoria à evolução da expectativa de vida da população. Em entrevista à Globo, Zema afirmou que a aplicação de mudanças dependeria de fatores como a formalização do mercado de trabalho e a situação das contas da Previdência.
Sobre o salário mínimo, Zema afirmou que pode manter a política atual caso as condições fiscais permitam.
Samara Martins (UP)
Samara Martins propõe aumentar o salário mínimo em 100%, com a meta de aproximá-lo do valor calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Em agosto de 2026, o Dieese calculou o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas em R$ 7.565,86. O cálculo considera despesas como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e previdência.
Clariana Barão (DC)
O plano de governo de Clariana Barão concentra propostas em proteção social, trabalho, renda, saúde, educação e gestão pública. O documento, porém, não apresenta uma proposta específica para alterar a regra do salário mínimo ou dos benefícios previdenciários.
Edmilson Costa (PCB)
Edmilson Costa propõe recuperar gradualmente o poder de compra do salário mínimo até alcançar, em quatro anos, o valor calculado pelo Dieese.
Além disso, o candidato defende isenção do Imposto de Renda para quem recebe até o valor correspondente ao salário mínimo necessário calculado pelo departamento.
Hertz Dias (PSTU)
Hertz Dias também propõe aumentar o salário mínimo em 100%, com a meta de alcançar o valor calculado pelo Dieese.
A proposta aparece no programa de governo registrado pela candidatura.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Rui Costa Pimenta defende um salário mínimo de pelo menos R$ 7.500, segundo o programa de governo registrado no TSE.
O candidato também propõe mecanismos de reajuste automático dos salários quando a inflação atingir determinados níveis e mudanças nas regras trabalhistas e previdenciárias.
Wilson Grassi (Democrata)
Wilson Grassi propõe elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda de acordo com o ganho real do salário mínimo.
Além disso, defende que o piso do soldo dos militares das Forças Armadas corresponda ao salário mínimo nacional. Na Previdência, propõe substituir a contribuição patronal sobre a folha de pagamento pelo Imposto Único Federal.
Leonardo Avalanche (PRTB)
Leonardo Avalanche não apresenta, no plano de governo, uma proposta específica de reajuste do salário mínimo ou uma reforma da Previdência.
O documento, porém, prevê mudanças na contribuição destinada ao INSS. A proposta inclui um imposto único de 3,5%, que substituiria diversos tributos, entre eles a contribuição previdenciária.
Diferentes propostas para salário e Previdência
As propostas registradas para 2026 tratam de pontos distintos. Algumas candidaturas defendem manter ou ampliar a política de valorização do salário mínimo. Outras propõem desvincular benefícios do piso nacional ou modificar a estrutura da Previdência.
Por isso, além do valor do salário mínimo, os programas colocam em discussão a forma de financiamento do sistema, as regras para aposentadoria e o reajuste dos benefícios pagos pelo INSS. Os planos oficiais podem ser consultados na base de candidaturas do TSE.

