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Tabela do IR mantém defasagem de 157% mesmo com isenção até R$ 5 mil

Medida amplia alívio fiscal, porém inflação acumulada desde 1996 segue sem correção plena

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Tabela do IR mantém defasagem de 157% mesmo com isenção até R$ 5 mil
Foto: Receita Federal

A tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física continua defasada em 157% apesar da ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, segundo estudo do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal. O levantamento considera a inflação acumulada desde 1996, quando o governo deixou de atualizar a tabela automaticamente, e mostra que o contribuinte segue pagando mais imposto do que pagaria se houvesse correção integral.

Defasagem histórica da tabela

Desde 1996, o governo atualiza a tabela do Imposto de Renda de forma parcial e irregular. Com isso, a inflação avança, mas os valores das faixas de tributação permanecem praticamente congelados. Como resultado, trabalhadores que apenas repõem perdas inflacionárias passam a pagar mais imposto ao longo do tempo.

Segundo os auditores-fiscais, se o governo tivesse corrigido totalmente a tabela, apenas rendas acima de cerca de R$ 6,6 mil por mês sofreriam tributação. Hoje, no entanto, quem recebe menos já entra na base do imposto.

Quem mais sente o impacto

Na prática, a defasagem atinge principalmente a classe média. Isso ocorre porque salários reajustados pela inflação migram para faixas mais altas da tabela, mesmo sem ganho real de renda. Assim, o contribuinte passa a pagar mais imposto sem, de fato, ganhar mais poder de compra.

Simulações do estudo mostram que um trabalhador com renda mensal de R$ 6,5 mil paga imposto em um patamar maior do que pagaria caso a tabela estivesse atualizada. Além disso, quem recebe cerca de R$ 10 mil pode arcar com uma carga tributária várias vezes superior à que seria aplicada em um cenário de correção integral.

Nova isenção melhora, mas não resolve

Em 2026, o governo ampliou a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil por mês. Além disso, criou um desconto progressivo para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Dessa forma, milhões de trabalhadores deixaram de pagar o imposto ou passaram a recolher menos.

No entanto, apesar desse avanço, as demais faixas da tabela seguiram sem correção ampla. Ou seja, o problema estrutural permanece. A inflação acumulada continua empurrando contribuintes para alíquotas maiores, mesmo sem aumento real de salário.

Debate sobre justiça tributária

Especialistas afirmam que atualizar a tabela não representa renúncia fiscal, mas sim correção de uma distorção histórica. Para eles, a defasagem criou um aumento indireto de imposto ao longo dos anos, sem aprovação explícita de novas alíquotas.

Além disso, os auditores defendem que a correção integral garantiria maior justiça tributária. Segundo o sindicato, quem ganha apenas o suficiente para manter o padrão de vida não deveria ser tratado como contribuinte de renda mais alta.

O que pode mudar

A pressão por uma revisão completa da tabela cresce no Congresso e entre entidades ligadas à área econômica. A discussão agora gira em torno de como compensar a perda de arrecadação caso o governo decida corrigir todas as faixas.

Enquanto isso, o contribuinte segue pagando imposto sobre uma renda que, em muitos casos, apenas acompanha o custo de vida.

A ampliação da isenção até R$ 5 mil representou um alívio importante para milhões de brasileiros. No entanto, como a tabela segue defasada em 157%, o sistema continua cobrando mais imposto do que cobraria se acompanhasse a inflação. Assim, o debate sobre a correção integral volta ao centro da agenda econômica, com impacto direto no bolso do trabalhador.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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