
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (08) que o país vai votar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, durante reunião prevista para sexta-feira (09), em Bruxelas, porque considera que o texto atual não protege de forma suficiente setores estratégicos da economia francesa, especialmente a agricultura, além de não apresentar ganhos econômicos relevantes.
Pressão interna pesa na decisão
Antes de tudo, Macron decidiu reagir à forte pressão política dentro da França. Agricultores, sindicatos rurais e lideranças do campo intensificaram protestos nos últimos dias. Além disso, eles alertam para o risco de concorrência desleal com produtos sul-americanos, que, segundo o setor, seguem regras ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na Europa.
Por isso, o governo francês entende que o acordo pode comprometer a renda dos produtores locais. Ao mesmo tempo, Paris avalia que as salvaguardas negociadas até agora não resolvem esse desequilíbrio.
Divisão expõe fragilidade do bloco
Enquanto isso, o posicionamento francês amplia a divisão entre os países europeus. De um lado, França, Irlanda e Polônia defendem mais cautela. Do outro, Alemanha, Espanha e Portugal pressionam pela aprovação, argumentando que o tratado pode abrir mercados e fortalecer relações comerciais com a América do Sul.
Ainda assim, a França sustenta que crescimento econômico não pode vir à custa da perda de competitividade do setor agrícola europeu. Nesse sentido, Macron reforçou que prefere barrar o acordo agora a lidar com impactos negativos no futuro.
Acordo arrastado há décadas
Vale lembrar que o acordo entre União Europeia e Mercosul é negociado há mais de 20 anos. Ao longo desse período, as partes revisaram cláusulas, incluíram compromissos ambientais e ajustaram tarifas. Mesmo assim, resistências políticas continuam fortes, sobretudo em países com grande peso do agronegócio interno.
Além disso, o momento político europeu, marcado por disputas eleitorais e avanço de pautas nacionalistas, torna o consenso ainda mais difícil.
Próximos passos sob incerteza
Agora, a votação no Conselho da União Europeia deve indicar se o acordo avança ou se enfrenta novo adiamento. Caso a oposição ganhe força, o texto pode voltar à mesa de negociações. Caso contrário, o tratado segue para etapas posteriores de ratificação.
Ao anunciar voto contrário, Macron deixa claro que a França não aceita um acordo que gere mais riscos do que benefícios. Com isso, o impasse cresce, a unidade europeia é testada e o futuro do tratado segue indefinido.

