
A escalada da guerra no Oriente Médio gera impacto e incertezas no agronegócio brasileiro. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), produtores rurais do estado passaram a relatar atrasos e falhas na entrega de diesel desde o fim da semana passada.
De acordo com a entidade, os Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs), responsáveis por levar o combustível até as propriedades rurais, informaram que a distribuição teria sido suspensa nas refinarias sem aviso prévio ou justificativa.
Assim, a situação preocupa produtores justamente no período de colheita da safra de verão.
Colheita pode sofrer atrasos
Atualmente, o Rio Grande do Sul vive o pico da colheita de culturas importantes, principalmente arroz e soja. Por isso, qualquer atraso no fornecimento de diesel pode prejudicar diretamente o trabalho no campo.
Segundo a Farsul, a falta de combustível pode interromper atividades essenciais nas lavouras. Com isso, as plantações ficam mais expostas a chuvas e outras condições climáticas adversas.
Além disso, o estado já acumula prejuízos recentes provocados por eventos climáticos extremos. Nesse cenário, novos atrasos podem ampliar os impactos econômicos no setor agropecuário gaúcho.
Alta do petróleo pressiona custos
Paralelamente às dificuldades de entrega, o conflito no Oriente Médio também pressiona o preço do petróleo no mercado internacional. Como consequência, o valor do diesel e do frete doméstico também tende a subir.
Segundo a Farsul, o índice relacionado ao combustível acumula alta de 37% no ano. Dessa forma, o aumento eleva os custos de produção e amplia a pressão financeira sobre o agronegócio brasileiro.
Entidades pedem ação do governo
Diante do cenário, a Farsul solicitou apoio do governo do Rio Grande do Sul para intermediar o diálogo com o Ministério de Minas e Energia. O objetivo, segundo a entidade, é evitar que a situação se agrave e garantir a normalização do abastecimento.
Além disso, a federação acionou seu departamento jurídico para avaliar possíveis medidas legais que assegurem a retomada da entrega de combustíveis nas propriedades rurais.
Até o momento, o governo estadual ainda não se pronunciou sobre o pedido.
ANP e Petrobras se manifestam
Por outro lado, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu relatos de dificuldades pontuais na aquisição de diesel por produtores rurais no estado.
Apesar disso, a agência afirmou que o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular. Ainda assim, a ANP notificará distribuidoras para prestar esclarecimentos sobre volumes em estoque e pedidos atendidos.
Além disso, equipes técnicas da agência passaram a monitorar as operações e podem adotar medidas caso identifiquem irregularidades.
Já a Petrobras declarou que não houve mudanças nas entregas de diesel. Segundo a empresa, as refinarias continuam operando normalmente e cumprem o volume de abastecimento previamente programado para o estado.

