
Produtores de cebola em Santa Catarina enfrentam, neste início de 2026, uma forte queda nos preços da safra, causada pelo excesso de oferta no mercado, o que tem gerado prejuízo direto nas propriedades e levado municípios a decretar situação de emergência para tentar conter os impactos econômicos. A crise atinge principalmente cidades do Alto Vale do Itajaí, onde a cebola sustenta milhares de famílias e movimenta a economia regional.
Queda brusca no valor pago ao produtor
O produtor planta, colhe, armazena e vende. No entanto, agora ele vende por menos do que gasta. Em média, o quilo da cebola tem sido comercializado por cerca de R$ 0,75, enquanto o custo de produção ultrapassa R$ 1,40. Ou seja, cada carga entregue representa prejuízo.
Além disso, a safra foi volumosa em Santa Catarina e também em outros estados. Como resultado, o mercado ficou saturado. Consequentemente, a oferta superou a demanda e os preços despencaram. E, como o consumo não cresce na mesma proporção da produção, o valor não reage.
Municípios decretam emergência
Diante desse cenário, cidades como Ituporanga, Atalanta, Imbuia, Chapadão do Lageado, Lebon Régis, Leoberto Leal e Alfredo Wagner decretaram situação de emergência no setor agrícola. A medida busca facilitar acesso a crédito, renegociação de dívidas e apoio governamental.
Ituporanga, conhecida como capital da cebola, sente o impacto com força. Afinal, grande parte da economia local gira em torno da cultura. Quando o preço cai, o comércio desacelera, o emprego diminui e o efeito se espalha.
Produtor segura estoque e acumula dívida
Enquanto isso, muitos agricultores optam por armazenar a produção na esperança de melhora nos preços. No entanto, estocar também custa caro. E, se o valor não reagir, o prejuízo aumenta.
Além disso, produtores familiares enfrentam dificuldades para honrar financiamentos, pagar insumos e manter a próxima safra. Como consequência, cresce o endividamento e aumenta o risco de abandono da atividade nos próximos anos.
Especialistas explicam que a cebola tem consumo relativamente estável. Portanto, reduzir preço não impulsiona a demanda de forma significativa. Assim, o excesso de oferta pressiona ainda mais o mercado.
O que pode mudar o cenário
Entidades do setor defendem diversificação de culturas, ampliação de mercados institucionais e abertura para exportação. Ao mesmo tempo, o governo estadual monitora a situação e estuda linhas de apoio para minimizar os impactos imediatos.
Santa Catarina é um dos principais produtores de cebola do país. No entanto, a crise atual expõe a fragilidade da cadeia produtiva diante de oscilações de mercado. Se não houver reorganização e planejamento, o próximo ciclo pode vir com menos área plantada e menos produtores ativos.
A cebola continua na mesa do brasileiro. Porém, no campo, o produtor amarga uma conta que não fecha. E, enquanto o preço não reage, a crise da cebola em Santa Catarina segue pressionando o setor.

