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Como bares lidam com a crise causada por bebidas adulteradas com metanol

Estabelecimentos relatam prejuízos e mudança no consumo de bebidas

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Como bares lidam com a crise causada por bebidas adulteradas com metanol
Foto: divulgação

Depois do aumento de casos por intoxicação e até morte por metanol, a rotina dos bares em todo o Brasil mudou por completo neste último fim de semana. Pessoas deixaram de ir aos locais para fazer happy hour ou trocaram os destilados por cerveja e outras bebidas enlatadas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (6), o Brasil contabiliza 217 notificações de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica. O total inclui casos suspeitos, confirmados e três óbitos. Até agora, 17 foram confirmados e 200 continuam em investigação.

O estado de São Paulo reúne a maior parte dos registros, representando cerca de 82,49% das notificações no país. Desses,15 foram confirmados e 164 seguem sob análise. Além de São Paulo, o Paraná registra dois casos confirmados e quatro em investigação. Em Santa Catarina, ainda não houve nenhum registro de intoxicação.

Intoxicação por metanol

Diante da insegurança dos consumidores, mesas ficaram vazias e donos de bares e restaurantes, principalmente de sexta a domingo, tiveram prejuízo. Na capital paulista, segundo Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), os estabelecimentos tiveram uma queda de aproximadamente 25% do público nesta última semana.

Solmucci destaca ainda que, desde o surgimento dos primeiros casos, o prejuízo foi observado em bares e restaurantes de classe média alta. Contudo, mesmo diante do ocorrido, ele afirma que as pessoas continuam frequentando os estabelecimentos e tomando precauções, como a substituição de um tipo de bebida por outra.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. Foto: divulgação

Bar vazio e 10% de faturamento

Devido ao receio por parte de alguns clientes, proprietários de estabelecimentos sentiram na pele a queda do faturamento e a pouca procura por bebidas destiladas. Foi o caso do bar Cama de Gato, localizado na Vila Buarque, no centro de São Paulo.

Focado em cocktails, o espaço teve uma diminuição drástica do público neste fim de semana e ficou vazio na última sexta-feira, dia em que a casa costuma receber de 100 a 150 clientes. “As pessoas realmente estão muito sensibilizadas com o que está acontecendo e isso reflete imediatamente no faturamento. Temos um faturamento de zero reais, assim, assustador“, lamenta André Bandim, dono do bar.

Já no sábado, ele teve 10% do faturamento, comparado a outros finais de semana. “Falei com vários amigos do setor, e bares que têm movimento super alto faturaram 300 reais, por exemplo, que é um valor irrisório diante do que faturavam antes”, diz.

Drinques sem álcool

Para tranquilizar os clientes, ele começou a disponibilizar todos os certificados de fiscalização das distribuidoras do bar, que, segundo ele, são inspecionados pela Vigilância Sanitária. Ele fez ainda comunicados e posts informativos nas redes sociais. “Compramos desde a abertura, há sete anos, dos mesmos fornecedores homologados. Nunca houve um problema sequer. Esses fornecedores explicam em cartas e certificados que já passaram por fiscalização e nada de irregular foi encontrado“, reforça.

Como alternativa para os consumidores que ainda se sentem inseguros, Bandim conta que começou a fazer mais drinques sem álcool. “Já tínhamos opções sem álcool e estamos ampliando, mas dificilmente vai surtir algum efeito a curto prazo“, destaca. Ele teme ter mais prejuízos e diz que a situação se assemelhe à época da pandemia.

Para dar confiança aos frequentadores, o proprietário afirma que também está disponibilizando notas fiscais das “bebidas quentes”, além de deixar esclarecimentos na página do bar pelo Instagram. Mesmo com a baixa procura por parte dos clientes, ele ainda não consegue mensurar o prejuízo e impacto financeiro, pois é preciso analisar o comportamento de consumo ao longo do mês.

Como bares e consumidores podem se precaver

Especialistas orientam bares, restaurantes e consumidores a adotar cuidados para reduzir riscos de falsificação de bebidas. Segundo o presidente executivo da Abrasel, há cursos disponíveis para donos de estabelecimentos, que ensinam a identificar sinais de adulteração. Entre as recomendações estão buscar fornecedores confiáveis, comprar sempre com nota fiscal e desconfiar de preços muito abaixo do mercado, que podem indicar produtos irregulares.

A inspeção visual também é apontada como ferramenta importante. Rótulos de fabricantes maiores geralmente têm detalhes sofisticados, selos da Receita Federal e alta padronização da bebida. “A bebida destilada de fábrica é homogênea, com a mesma coloração em toda a garrafa. Diferenças no tom ou no odor podem ser indicativos de falsificação”, explica Solmucci.

Para os consumidores, a recomendação é similar. Optar por estabelecimentos que mantenham controle de qualidade, desconfiar de bebidas com preço muito baixo e estar atento a rótulos e selos.

Róbinson Gambôa

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Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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