
A CPMI do INSS incluiu nesta semana a publicitária Danielle Miranda Fonteles, ligada a campanhas do PT, em um relatório que analisa transações financeiras suspeitas envolvendo a chamada Spyder Consultoria. O documento informa que a empresa movimentou R$ 371 milhões em poucos meses e transferiu R$ 200 mil para a publicitária, por ordem de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, alvo central das investigações sobre fraudes na Previdência.
Empresa movimenta milhões sem atuação visível
A comissão identificou que a Spyder Consultoria foi aberta em dezembro de 2024, em São Paulo, com capital social de R$ 120 mil. No entanto, em apenas seis meses, a empresa movimentou R$ 371 milhões. Além disso, não apresentou histórico de prestação de serviços, site institucional ou carteira de clientes.
Por isso, a CPMI pediu a quebra de sigilo da empresa. Os parlamentares avaliam que a consultoria pode funcionar como empresa de fachada para ocultar recursos de origem suspeita.
Pagamento levanta alerta na investigação
Segundo relatório do Coaf encaminhado à comissão, a Spyder transferiu R$ 200 mil para Danielle Fonteles. Em resposta, a publicitária afirmou que não conhecia formalmente a empresa. Ela declarou que o valor partiu de ordem direta de Careca do INSS e estaria ligado à negociação de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia.
Ainda segundo sua defesa, o pagamento correspondeu a uma das parcelas de um contrato de compra e venda que acabou desfeito por distrato. A nota sustenta que as demais transferências ocorreram a partir de contas pessoais de Antunes, com documentação e recolhimento de impostos.
Rede de empresas amplia suspeitas
Além disso, a CPMI rastreou a origem dos recursos da Spyder. Os investigadores apontam que a empresa recebeu dinheiro da Dinar S/A Participações, também ligada a Careca do INSS. Essa companhia, por sua vez, foi abastecida por outras firmas já citadas no inquérito por movimentações financeiras atípicas.
Assim, a comissão desenha um mapa de conexões entre empresas que não apresentam atividade compatível com os valores movimentados. O objetivo agora é identificar o destino final dos recursos e eventuais beneficiários.
Atuação no exterior entra no radar
O relatório também cita a participação de Danielle Fonteles em projetos no exterior. Mensagens analisadas pela CPMI indicam que ela atuou em uma empresa ligada ao mercado de cannabis medicinal em Portugal, em sociedade com Careca do INSS.
De acordo com os parlamentares, essas informações reforçam a necessidade de aprofundar a apuração sobre a relação entre os envolvidos e o fluxo internacional de recursos.
Investigação avança no Congresso
A CPMI do INSS apura um esquema de fraudes que envolve descontos indevidos em benefícios previdenciários e uso de entidades intermediárias. Desde o início dos trabalhos, a comissão determinou quebras de sigilo, convocou depoentes e requisitou dados de órgãos de controle.
Agora, com a inclusão de novos nomes e empresas no relatório financeiro, os parlamentares pretendem ampliar o cruzamento de informações para verificar responsabilidades administrativas, cíveis e criminais.
Com a identificação de pagamentos, empresas sem atividade comprovada e conexões pessoais entre investigados, a CPMI do INSS amplia o alcance das apurações e pressiona por respostas mais detalhadas dos envolvidos. O avanço das quebras de sigilo deve definir se as operações configuram apenas negócios privados ou se integram um esquema de ocultação de recursos ligados às fraudes previdenciárias.

